sábado, 30 de outubro de 2010

Dia do Professor no curso de Pedagogia: um relato pessoal

 Por Lourdes Antunes (Pedagogia / Chapecó)

Comemora-se no dia 15 de outubro o dia do professor. Uma entre muitas oportunidades para demonstrar carinho e admiração, data propicia para encontrar a melhor maneira de valorizar esses profissionais da educação. Diante disso, os estudantes do curso de Pedagogia do período noturno reuniram-se para encontrar a melhor maneira de homenagear seus mestres e também de dizer a eles que não é por acaso que se escolho ser professor.

Com um coquetel simples, foi organizada uma mesa que representava a união e o compartilhar, momento que se tornou muito especial, pois, sobre aquela mesa, não havia somente alimentos, mas também alegria, reconhecimento, esperança, fé, união e sonhos.

Os abraços também fizeram parte da festa. Foi bacana ter a oportunidade para demonstrar afeto a essas pessoas que tem por objetivo não somente implantar saberes, mas também principalmente formar cidadãos.

A expectativa dos alunos é que o evento seja guardado como uma bela lembrança na vida de seus professores. Que possam sentir-se valorizados, acreditando cada vez mais, que vale a pena ensinar e aprender.

Para uma universidade que está nascendo, é de suma importância que exista harmonia e entendimento. Com isso, todos terão a oportunidade de crescer e alcançar seus objetivos, caminhando rumo à certeza da formação de uma grande comunidade acadêmica.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

“O dedo podre do homem”

O ser humano consegue interferir no meio ambiente até após sua morte!

 Por Jessica Pauletti (Ciências / Realeza)

Muitos já devem ter ouvido falar sobre o chorume que é produzido nos lixões. Este é altamento tóxico e pode poluir os cursos hidrícos e, consequemente, afetar as pessoas que entram em contado com a água. Além deste tipo de chorume, temos um outro que é proveniente do líquido dos cadáveres enterrados nos cemitérios: o necrochorume. Este também possui características tóxicas, assim como o chorume dos lixões, no entanto, seus efeitos não são conhecidos, ou são poucos conhecidos pela população, podendo prejudicar a qualidade de vida dos indivíduos, sem que eles saibam.

Para saber mais a respeito do necrochorume, o Comunica convidou a professora de geografia, Dirce Rampanelli, que hoje trabalha no setor da documentação do Colégio Estadual 12 de Novembro, para falar sobre esse assunto, que tem a ver conosco, que sofremos a interferência da ação desse líquido em vida e somos produtores deste em morte.

Comunica: Professora Dirce, porque muitas pessoas nunca ouviram falar ou, se ouviram, sabem muito pouco sobre o necrochorume?

Professora Dirce: Dificilmente as pessoas dão a devida atenção ao tema, acredito que seja pelo fato de o cemitério ser um campo santo, um monumento à memória de entes queridos e que os vivos fazem questão de perpetuar ao longo do tempo, como que, se alguma violação ocorrer estejam cometendo um crime contra o corpo que está ali depositado. Acredito que a herança cultural que recebemos de nossos pais é que nos faz agir desse modo, fazendo-nos esquecer que aquele corpo em decomposição causa males imensos à saúde dos AINDA vivos.

Existem poucos escritos sobre os cemitérios e suas consequências, porque esse tipo de construção adquiriu a condição de inviolabilidade no que tange à pesquisa científica em seus diferentes aspectos, pois é olhada com reprovação pela maioria das pessoas, pois força-nos a lembrar de um lugar para onde vão entes queridos, sonhos e lembranças que acalentamos durante nossa vida e que, sem aviso prévio, nos é tirado.

ADMITIR QUE SOMOS CAPAZES DE DESTRUIR A NATUREZA MESMO DEPOIS DE MORTOS é algo impensável para a maior parte da população. Mesmo sabendo que já nascemos poluindo é complicado...(basta lembrar dos medicamentos usados no parto...).

Comunica: Como o chorume dos lixões, o necrochorume também é tóxico. Qual sua taxa de poluição? É maior ou menor que o dos lixões?

Professora Dirce: Bem, necrochorume, apesar de pouco divulgado, é um problema preocupante pois 95% da água potável do mundo está no subsolo, segundo a ABAS (Associação Brasileira de Águas Subterrâneas). Os dados ainda não são muito precisos, visto a pouca literatura existente. Mas, vamos considerar um cadáver adulto de 70 Kg. Na decomposição, produz 24 litros de gazes variados e 30 litros de necrochorume. Este é rico, tem 60% de água, 30% de substâncias mineralizadas e 10% de substâncias orgânicas. É mais denso do que a água, tem cor acastanhada ou acinzentada, e muito mau cheiro. No nosso clima, o cadáver leva aproximadamente 3 anos para ser decomposto. A CADAVERINA E A PUTRECINA são substâncias geradas quando se morre, mas que na idade média eram utilizadas como veneno. A essas substâncias tóxicas pós morte, podemos acrescentar a quimioterapia, radioterapia, xampu dos cabelos, pasta dental, remédio de gripe e etc etc etc. Se você falece por exemplo, doente, vai carregar junto com a água que você tem no corpo todos os microorganismos que você tinha quando doente para o lençol freático que pode estar abaixo do cemitério.

Contudo, quero deixar claro que, segundo alguns estudiosos, nem todo cemitério contamina o meio ambiente. Quando o solo tem boa capacidade natural de depuração, com alto teor de argila, e o nível do lençol freático tem profundidade acentuada, permite o tempo necessário para que a ação dos microorganismos decomponha o necrochorume em susbtâncias simples, inofensivas ao homem. Neste caso, o necrochorume se transforma em adubo orgânico e as bactérias e vírus do cadáver morrem. O perigo à saúde pública só existe onde a localização dos cemitérios é inadequada. É necessário às companhias de água e esgoto de cada estado (como a CETESB, SANEPAR e a CASAN) e à vigilância sanitária que fiscalizem os cemitérios municipais.

Comunica: Existe alguma forma de tratamento já desenvolvida para ser aplicada ao necrochorume? E ele pode ser usado em alguma coisa?

Professora Dirce: O problema é grave e a resolução para este deve ser rápida! O Ministério do Meio Ambiente deveria criar uma cláusula na nossa Constituição que determinasse que cemitérios devem ser afastados das cidades, e também de lençóis freáticos, além de conter filtros. Esses filtros, apesar de terem um elevado custo, impedem que o necrochorume entre nos lençóis freáticos ou em rios e são a alternativa mais rápida e viável para o problema. Em minhas pesquisas a respeito do assunto, descobri que hoje já existem modernos produtos para solucionar o problema. As pastilhas podem ser consideradas uma ótima solução no que diz respeito ao necrochorume, elas contem uma imensa quantidade de bactérias selecionadas que possuem alta capacidade de digerir matéria orgânica, são colocadas dentro da urna funerária. Além da pastilha, existe também a Manta Absorvente de Necrochorume, considerado também um recurso eficiente. Ela é colocada dentro da urna revestindo todo o seu interior e, na medida em que o corpo vai liberando líquidos, a celulose vai o absorvendo, impedindo que o mesmo extravase e fazendo com que ele permaneça na urna pelo tempo necessário da decomposição sem contaminar a urna, a sepultura e o meio ambiente como um todo.

Comunica: Sabendo que se trata de uma questão de ordem pública e envolvendo a saúde das pessoas, na sua opinião, como os órgãos públicos lidam com esta situação?

Professora Dirce: A polêmica em torno das possíveis contaminações causadas pelas necrópoles ao meio ambiente forçou órgãos ambientais a fiscalizar e multar cemitérios públicos e privados. Em 1987, o Brasil foi o primeiro país do mundo a ter normas de procedimentos ambientais voltadas para cemitérios. Estas normas são definidas também em nível municipal, como é o caso de São Paulo, cuja resolução n.º 131/CADES/2009, determina os critérios para o licenciamento ambiental de cemitérios.

O problema do necrochorume acontece devido à falta de um projeto geoambiental e hidrogeográfico que é reforçada pela inexistência de políticas de manutenção e fiscalização nestes locais. É necessário que órgãos competentes e a sociedade saibam dos problemas ambientais provocados por cemitérios, informando-se e sensibilizando-se, propondo medidas de gerenciamento ambiental em relação à implantação e à manutenção de cemitérios na área urbana.

Acredito que na atual situação de preservação de nossos mananciais, a partir da problemática da água, os órgãos públicos se manifestem com mais praticidade.

Comunica: Falando agora mais precisamente da nossa cidade, Realeza, como este problema está sendo encarrado? A sociedade daqui tem noção disso?

Professora Dirce: Olha, eu não tenho nenhuma informação a respeito do cemitério de Realeza. Minha pesquisa está engatinhando ainda, não conversei com a vigilância sanitária daqui.

Comunica: Por que você se interessou em estudar esse assunto?

Professora Dirce: Esse é um assunto que me incomoda, por isso meu estudo particular sobre o mesmo. Como professora de Geografia e amante das questões ambientais, me incomoda ouvir sempre das pessoas a seguinte indagação: será que o problema de tantas doenças novas, especialmente o câncer que tem tanto em Realeza, é por causa da água? “Assim começou minha dúvida e minha atração pelo assunto”, mas não fiz nenhum projeto ainda sobre ele, com exceção de uma discussão online, via orkut, e pesquisa bibliográfica com meus alunos do 2º ano do ensino médio do Colégio Real.

Comunica: É possível uma parceria entre a senhora e os acadêmicos da UFFS, para a discussão e realização de trabalhos envolvendo o assunto necrochorume?

Professora Dirce: Com certeza, dentro das possibilidades de meu tempo, podem contar comigo.


O Comunica espera que após esta entrevista, os acadêmicos tomem conhecimento desse assunto e o divulguem, já que é de suma importância para todos, visto que nos interfere diretamente. Além disso, os estudantes podem se disponibilizar para a realização de trabalhos que visem informar tanto a população em geral quanto as autoritades. Desse modo, se inseridas as práticas indicadas pela professora, como o uso de pastilha e manta absorvente nas urnas, será possível garantir qualidade de vida para os que ainda estão vivos, preservando a lembrança dos que já faleceram.

Bolsas servem como estímulo aos acadêmicos da UFFS campus Realeza

 Por Josiane Ribeiro (Letras / Realeza)

O programa de Bolsas de Assistência Estudantil oferecido no primeiro ano da Universidade Federal da Fronteira Sul já proporcionou mudanças na rotina dos acadêmicos. No campus de Realeza, com apenas dois depósitos realizados, percebe-se o quão positiva está sendo esta ajuda.

Alunos oriundos de outras cidades têm altos custos com aluguel e alimentação, agora parte deles desfruta de um auxílio de R$250,00 provindo da bolsa permanência, que tem por objetivo justamente complementar a renda desses acadêmicos estimulando e trabalhando o seu interesse pelo curso, afastando-os assim da desistência. Esse dinheiro também tem tido grande importância para os alunos que utilizam o transporte de sua cidade até a universidade, como é o caso do acadêmico do curso de Letras, Ivan Lucas Faust que, ao ser questionado sobre os efeitos da bolsa permanência, relata: “a partir do momento que passei a receber a bolsa, as coisas começaram a mudar, as dívidas começaram a diminuir, minha família está aos poucos quitando-as. A expectativa para o ano que vem é de que estaremos com o saldo no nosso orçamento familiar, positivo”. Isso demonstra a importância que a bolsa tem tanto na vida acadêmica como familiar dos estudantes.

Os beneficiados pelos R$450,00 da bolsa de iniciação acadêmica têm trabalhado em projetos desenvolvidos por seus orientadores, o que estimula a pesquisa e o anseio pelo saber, contribuindo significativamente na melhoria do desempenho acadêmico dos estudantes.

Por se tratar do primeiro ano de implantação das bolsas, sabe-se que nem tudo saiu como planejado, porém os próximos editais já estão sendo trabalhados e existe a intenção de que para o ano que vem sejam aumentadas as modalidades de bolsas. Além disso, as expectativas financeiras com relação ao PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil) são positivas, segundo Aline Scher, assistente social da UFFS campus de Realeza.

A última novidade com relação às bolsas é que agora poderão ser feitas denúncias sobre as irregularidades no recebimento. Basta procurar a assistente social do campus em questão ou enviar um e-mail para: programabolsas@uffs.edu.br informando o nome do aluno a ser denunciado juntamente com o campus e a justificativa de irregularidade existente, lembrando que a denúncia poderá ser anônima.

Confraternização do curso de Letras

Sábado de aula na UFFS do curso de Letras conta com confraternização dos acadêmicos.

 Por Jezebel Batista Lopes (Letras / Realeza)
 
Acadêmicos do Curso de Letras da UFFS em confraternização.

No último sábado (23), os acadêmicos do curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul-UFFS/Campus Realeza juntamente com a Prof. Dra. Lucimar Fossatti de Carvalho organizaram um café da manhã para “embalar” a aula de sábado.

Os graduandos do curso de Letras, para aproveitar o momento em que estavam reunidos no sábado, organizaram um café da manhã, com muitas delícias e com o típico chimarrão, com o propósito de interagir melhor com seus colegas e proporcionar durante a aula um momento de lazer.

Segundo a professora Lucimar, “o que ocorreu na sábado foi uma aula normal, onde os alunos combinaram fazer uma confraternização em conjunto o que resultou num momento de amizade e descontração. São momentos importantes na vida acadêmica, pois direcionam os alunos na troca de experiências, incentivando-os na participação comunitária.”

O acadêmico Alceni Langner comentou que “estar em classe em um sábado é algo diferente, que não o fazíamos no Ensino Médio. Embora num primeiro olhar seja algo ruim devido à ocupação excessiva do nosso tempo, podemos ver agora que essa possibilidade em junção com a necessidade está nos proporcionando ótimos momentos onde, além de estarmos estudando as devidas disciplinas, ainda há uma confraternização entre alunos e professores, isso é muito agradável.”

A acadêmica Taíse Moraes disse que “em primeiro lugar a aula de sábado foi muito proveitosa. Pela primeira vez, notei que a turma interagiu, teve união, trocamos ideias, rimos, foi legal. Acho que deveríamos fazer mais vezes, é importante para nossa formação, entrarmos nesse ritmo de amizade, é muito ruim um local onde há muitas divisões.”

Acadêmica Daniela do Curso de Letras.

Avaliar para quê?

Por Silvana Castilho (Engenharia de Alimentos / Laranjeiras do Sul)

Professora Marcela Langa
A professora Marcela Langa, Ma. em Estudos Linguísticos, do campus Laranjeiras do Sul, participou do I Congresso Nacional de Avaliação em Educação, I Conave, em Bauru-SP, entre os dias 7 e 9 deste mês. O evento foi uma parceria do Centro de Educação Continuada em Educação Matemática, Científica e Ambiental - CECEMCA/PROEX - com a Faculdade de Ciências da Unesp Campus Bauru e também contou com o apoio da Diretoria de Avaliação da Educação Básica – DAEB/INEP - e da ABAVE - Associação Brasileira de Avaliação Educacional.

Dentre os objetivos do Congresso, a professora destacou a importância das reflexões sobre fundamentação teórica e metodológica utilizadas na construção e aplicação de instrumentos de avaliação em larga escala: “É fundamental que tenhamos um currículo bem definido, com habilidades específicas a serem construídas e desenvolvidos em cada etapa/série/ciclo da educação básica. Avaliações em larga escala acabam por exigir essa organização e unificação nacional do currículo. Contudo, é preciso destacar também que, além do currículo, fatores históricos estão imbricados no processo de ensino e de aprendizagem. A educação é atravessada por muitos outros fatores externos a ela. Não podemos nos iludir, pensando que apenas um currículo bem estruturado proporcionará educação de qualidade para todos, pelo menos não do ponto de vista sociocognitivista”.

Considerando as avaliações em larga escala, a professora analisou alguns resultados da prova Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), que constitui a primeira iniciativa brasileira, em âmbito nacional, no sentido de conhecer mais profundamente seu sistema educacional. Tivemos acesso a uma parte da pesquisa da professora em que ela analisa as médias da 4ª série do Ensino Fundamental, considerando os resultados de 1995 a 2001, por região, conforme demonstrado na tabela abaixo:

Tabela 1 – Médias de Desempenho no Saeb, em Língua Portuguesa
4ª série do Ensino Fundamental – Brasil, Regiões – 1995 a 2001
Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: http://www.inep.gov.br/basica/saeb/default.asp.
Segundo a professora, os dados apontam a região Sudeste, em todos os anos analisados, com melhor média nacional, em contraste com a região Norte, com as menores médias nas avaliações de 1995 e 1997, seguido da região Nordeste, com as piores médias nos anos de 1999 e 2001. E mesmo as regiões mantendo um desempenho mais ou menos parecido de um ano a outro (ou seja, Sudeste sempre em primeiro, com as melhores médias, e Norte e Nordeste sempre em últimos, com as menores médias), todas as região apresentaram queda nas médias ao longo dos anos, o que levou a professora a concluir (pelo menos) duas coisas: tem ocorrido uma piora na qualidade do ensino, já que as médias estão em decréscimo, e tem havido manutenção das desigualdades regionais em relação às práticas educacionais. Dessa última conclusão, a professora reforçou o fato de que o ensino está diretamente relacionado a fatores regionais, por exemplo, que, por sua vez, colam-se a questões econômicas, sociais e políticas: “Norte e Nordeste são historicamente regiões mais pobres economicamente e, não coincidentemente, as médias dessas regiões são menores que a média de outras regiões”.

Outra consideração da professora Marcela Langa acerca da questão avaliação, agora enquanto instrumento do sistema educacional, é a de que, apesar de a questão parecer superada, ainda há professores que utilizam esse recurso como ação sentenciva, de julgamento de resultados, um ato penoso. Para ela, um ensino que considere o sujeito-aluno como um ser histórico, dialógico e que vise sua autonomia não pratica a avaliação como forma de punição e sim como forma de acompanhamento do aluno em relação ao acesso a uma gama de conhecimentos e ao grau de desenvolvimento de sua autonomia frente ao que apreende.

Por isso, segundo a professora, o ato de avaliar age sempre sem duas direções: em direção ao aluno, porque o resultado de uma avaliação aponta para habilidades e conhecimentos já consolidados ou não, e em direção ao professor, que só poderá orientar suas próximas ações após detectar em que medida a aprendizagem de um conteúdo/habilidade já se efetivou. Assim, a avaliação dever agir retrospectivamente, quando objetiva detectar a aprendizagem (no aluno), e prospectivamente, quando norteia as ações para o ensino (no professor).

A professora pontua ainda que pensar a educação do ponto de vista diálogo e reconhecê-la como instrumento social, político e econômico, que pode contribuir para a inserção social dos sujeitos, implica, consequentemente, entender a avaliação como uma prática educativa democrática e ética.

Mas a professora alerta que não se trata de adotar uma método infalível de avaliar, porque, para ela, isso parece nem existir. A questão seria adotar um método de avaliar (para diagnosticar) condizente com perspectivas teóricas e metodológicas modernas, que já superaram uma série de equívocos produzidos nas práticas escolares.

A professora concluiu a questão, no Congresso e aqui em nossa entrevista, com a proposta não de excluir a avaliação da prática escolar, seja em que nível for, mas de considerá-la contínua e sistemática, visando a efetivação da aprendizagem e reforçando que é preciso reconhecer que no complexo fenômeno da aprendizagem há a operação concomitante de diversos fatores da história do indivíduo que aprende.

As mãos que guiam os pequenos no caminho da leitura

Professores da Rede Pública Municipal falam como têm sido o ensino da prática da leitura.

O jornal Diarinho é um projeto do jornal Diário do Sudoeste em parceria
com a Prefeitura de Realeza, produzido a fim de incentivar
a leitura e a produção textual.
Por Marina Maria Rodrigues e Patrícia dos Santos (Letras/Realeza)

O ensino da prática da leitura é motivo de constante discussão dos profissionais da área da educação. A Rede Municipal de Ensino de Realeza possui um total de 7 escolas de Ensino Infantil, sendo duas em localidades interioranas, e cinco na cidade. Dessas cinco, três atuam em tempo integral e duas em meio período. Essas escolas são coordenadas pela Secretaria de Cultura e Educação de Realeza.

A Profa. Leocádia Andreolli, secretária municipal de Cultura e Educação, falou sobre as escolas integrais que hoje têm um importante papel na sociedade realezense e sobre os projetos que a Prefeitura vem realizando no ensino da leitura: “Os projetos de maior resultado são o Baú do Conhecimento e a Gibiteca. Atualmente são sete baús para as escolas e um para as creches municipais. Nesses baús há diversos livros dinâmicos, novos, que trabalham bastante a ludicidade das crianças. São livros e gibis diferentes, variados e têm sido a maior atenção da criançada”.

Além disso, a Prof. Leocádia comentou sobre o “Diarinho”, que é um projeto do jornal Diário do Sudoeste, da cidade de Pato Branco. Juntamente com a prefeitura de Realeza, foi criado o Núcleo Regional de Realeza, que uma vez por mês recebe representantes das escolas das seguintes cidades: Barracão, Santo Antônio, Pérola D'Oeste, Capanema, Bela Vista da Caroba e Santa Izabel.

O Diarinho não é apenas uma ferramenta só para a leitura e sim para os alunos terem contato com diversos gêneros textuais. As edições contêm reportagens voltadas para a idade deles, e, muitas vezes, o conteúdo é produzido pelos próprios alunos.

Escola Menino Jesus

Uma das escolas integrais é a Escola Municipal Menino Jesus, a qual possui 170 alunos e tem apresentado resultados satisfatórios. No período matutino, as aulas são normais e, na parte da tarde, os alunos têm oficinas de artesanato, esporte, circo e outras atividades de recreação.

Em conversa com o Comunica, a coordenadora pedagógica Profa. Clair Rozane Korb Lazari comenta sobre as dificuldades e os métodos de ensino na prática da leitura: “a prática da leitura deve acontecer diariamente, principalmente nas séries iniciais do pré ao 2º ano, em que as professoras trabalham muito com a leitura de imagem, a ludicidade e a leitura coletiva que é muito importante no aprendizado, explorando o leitor dentro das crianças. Os 3º, 4º e 5º anos trabalham a leitura tanto no período da manhã quanto à tarde. Já aos livros da escola, os alunos têm acesso através do professor. O importante é que eles não obrigam os alunos a ler e sim a aprender a gostar. Um dos fatores que prejudicam a leitura de um livro é estarmos rodeados de imagens”.

Escola 24 de Junho

A Escola Municipal 24 de Junho é tradicional no Município. São 370 alunos no total, estudando em período normal. A diretora Geni S. Prinz falou sobre a prática da leitura de seus alunos: “A leitura é estimulada desde a pré-escola. Outro estímulo é o Baú de Conhecimento, a Gibiteca e o Diarinho para as séries finais, além de nossa escola ter o momento da leitura quando toda a escola para para ler. A maior dificuldade para os alunos é a concentração na hora da leitura porque eles não têm esse hábito. A escola procura interagir com os pais, a fim de que exista um incentivo da leitura também em casa, essa parceria 'pais e escola' é de grande importância para que haja uma sintonia em prol do desenvolvimento intelectual da criança”.

Escola Municipal Independência

A Escola Municipal Independência também atua no período integral e possui uma estrutura física excelente. Os alunos têm aulas pela manhã e no período vespertino participam de diversas atividades recreativas.

Segundo a diretora Neusa Foiatto, as atividades realizadas no período da tarde possibilitam que haja um maior contato com os pais, o que melhora o desenvolvimento do aluno. Explicou que são realizadas aulas de leitura e o nível de dificuldade das crianças é baixo: “Trabalhamos com produção textual, leitura de imagens para a primeira série e oficina de teatro em que são utilizados clássicos infantis dinamizados inclusive com fantoches”.

Biblioteca Municipal

O município de Realeza conta também com a Biblioteca Pública, na Casa da Cultura. Tem um acervo considerável e espaços apropriados para leitura, com tapetes, pufes e sofás. São espaços para que as escolas trabalhem a leitura, pesquisas e estudos.

A bibliotecária Cleomari da Silva, comentou sobre a frequência de crianças na biblioteca e das escolas de Realeza: “Poucas crianças vêm aqui para ler, elas vêm para pesquisa, mas é considerável o número de empréstimos. Outra questão é que não há muita participação de pais que acompanham os filhos na biblioteca”. A bibliotecária comenta também sobre da necessidade de incentivo dos professores quando vão à biblioteca, “deve haver mais interação do professor na hora da leitura aqui, muitos professores chegam e não participam do momento da leitura juntamente ao aluno.”

Outro incentivo à leitura no município é a construção de um nova biblioteca no centro da cidade, “Biblioteca do Cidadã”, a qual está sendo construída com verbas estaduais em terreno cedido pelo Município, no centro da cidade. A Biblioteca Cidadã será inaugurada ainda esse ano.

Alimentos Funcionais: uma nova tendência

 Por Silvana Castilho (Engenharia de Alimentos / Laranjeiras do Sul)


Hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis a cada dia tornam-se práticas mais significativas para a diminuição do risco de doenças e, consequentemente, para a promoção de qualidade de vida da população. O papel da alimentação equilibrada na manutenção da saúde tem despertado, por isso, o interesse da comunidade científica, que tem produzido inúmeros estudos com o intuito de comprovar a atuação de certos alimentos na prevenção de doenças.

Sabe-se que na década de 80, no Japão, foram feitos os primeiros estudos que comprovaram que alguns alimentos, além de satisfazerem às necessidades nutricionais básicas, desempenhavam efeitos fisiológicos benéficos ao organismo. Após anos de estudo, a partir de 1993, uma nova categoria de alimentos foi, então, regulamentada sob a denominação de "Foods for Specified Health Use (FOSHU)”, em português, Alimentos Funcionais ou Nutracêuticos.

Esses são alimentos ou ingredientes que, por sua composição química, produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos benéficos para o crescimento, desenvolvimento, manutenção e para outras funções normais do organismo humano, podendo até mesmo auxiliar na prevenção de doenças, além de satisfazer às necessidades nutricionais básicas de um indivíduo.

Dentre os ingredientes funcionais mais conhecidos, estão: o betacaroteno, que ajuda a diminuir o risco de câncer e pode ser encontrado na abóbora, na cenoura, no mamão, na manga, no damasco, no espinafre e na couve; o ômega 3, que auxilia na diminuição do risco de doenças cardiovasculares e está presente em peixes de água fria, como salmão e truta, e no óleo de peixes; os flavonóides, que diminuem o risco de câncer e atuam como anti-inflamatórios e estão em alimentos como suco natural de uva, vinho tinto, café, chá verde, chocolate e própolis; os probióticos (micro-organismos vivos), que ajudam no equilíbrio da flora intestinal e podem ser encontrados em iogurtes e leites fermentados.

Os alimentos funcionais incluem uma ampla variedade de alimentos de origem animal ou vegetal e podem ser classificados quanto à atuação, em seis diferentes áreas do organismo: no sistema gastrointestinal, no sistema cardiovascular, no metabolismo de substratos, no crescimento, no desenvolvimento e diferenciação celular, no comportamento das funções fisiológicas e como antioxidantes.

As propriedades desses alimentos podem ser provenientes de seus constituintes normais, como no caso das fibras e dos antioxidantes (vitamina E, C, betacaroteno), ou da adição de ingredientes que modifiquem suas propriedades originais, como no caso dos produtos industrializados (como cereais matinais ricos em fibras, leites enriquecidos com minerais ou ômega 3). Entretanto, nem todos os produtos enriquecidos com vitaminas e sais minerais podem ser considerados funcionais, uma vez que se o enriquecimento não comprovar efeito adicional sobre a saúde, o alimento deve ser categorizado apenas como enriquecido de nutrientes essenciais.

A grande demanda populacional por alimentos mais saudáveis configura uma nova tendência do mercado mundial, apontando novos rumos para a indústria, que já tem se adaptado de forma muito rápida a essas novas perspectivas. É nesse sentido que os alimentos funcionais configuram tema central de fóruns científicos e se apresentam como uma tendência de mercado muito fortemente, tanto no Brasil como no exterior.

O que fazer com o 13º?

Por Silvana C. Castilho (Engenharia de Alimentos / Laranjeiras do Sul)

Professores Fabiana Bohm Gramkow e Luis Cláudio Krajevski
Fim de ano já está aí e muitos já se preocupam com o que fazer com o dinheiro extra que receberão, o 13º salário. Pensando nisso, nesta semana dois professores de Laranjeiras do Sul foram entrevistados pelo Jornal Correio do Povo e deram algumas valiosas dicas do que fazer com esse dinheiro. As dicas são da administradora Fabiana Bohm Gramkow e do economista Luis Cláudio Krajevski.

O primeiro passo, segundo os professores, é eleger prioridades, começando sempre com a quitação de dívidas, principalmente cheque especial e cartão de crédito, pois esses são os campeões de juros altos, uma verdadeira forca para qualquer consumidor.

Em seguida, os professores sugerem guardar uma quantia para impostos, como IPTU, IPVA, etc., cobrados sempre no primeiro trimestre do ano. Aos pais, nessa lista, recomenda-se reservar também uma quantia para despesas extras com escola, como (re)matrículas, material escolar, uniforme, etc.

O passo seguinte seria antecipar prestações quando isso implicar redução de juros. Uma dívida muito comum a grande parte dos brasileiros é o financiamento de veículos. Se seu carro é financiado e a antecipação do pagamento de prestações reduz os juros embutidos na parcela, não perca tempo: reserve parte desse dinheiro extra para deixar de pagar juros.

Os professores destacam que essas atitudes, na verdade, constituem ações planejadas que evitam que se comece o ano no vermelho. Essa organização orçamentária pode evitar uma série de transtornos futuros, como, inclusive, doenças decorrentes de stress, visto que a falta de dinheiro, geralmente, empurra as pessoas para longas jornadas de trabalho, que com isso abrem mão das atividades de lazer, de horas mínimas de sono, etc, causando-lhes enfermidades ao longo dos anos.

Após tomadas todas essas precauções, se restou algum dinheiro, aí, sim, é hora de presentes. Mas os professores advertem: não se rendam às tentações, antes de sair às compras, tenham bem definido quanto poderão gastar e com o que gastarão. Nessa etapa, procure comprar à vista, barganhe e, se for comprar a prazo, quanto menor o número de parcelas, menor a taxa de juros.

Se seu orçamento estiver dentre de suas receitas, ou seja, se você não gastar mais do que ganhar, poderá ter uma vida mais tranquila e equilibrada. Por isso, lápis e papel na mão e comece já a se programar!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

I Colóquio de Filosofia supera as expectativas

 Por Duana Gerhardt (Administração/Chapecó)
 
Nos dias 21 e 22 de outubro, aconteceu nos campi de Erechim e Chapecó da UFFS o I Colóquio de Filosofia. O evento foi organizado por professores do curso de Filosofia, com o objetivo de promover a integração dos docentes e acadêmicos dos dois campi, contribuindo assim para o fortalecimento do curso de Filosofia e para a consolidação da UFFS. As Filosofias antigas e medievais foram os temas abordados nestes dois dias.

No período da tarde, ocorreram apresentações dos próprios estudantes. Depois do evento, o professor Élsio José Corá fez uma avaliação bastante positiva dessa experiência. “Tendo em vista o tempo de formação e sendo o primeiro evento da UFFS que abriu espaço para a apresentação de trabalhos científicos, acredito que os acadêmicos demonstraram um bom desempenho e uma excelente participação”. Corá relata ainda que o público que veio prestigiar o evento superou as expectativas, promovendo momentos de trocas de conhecimento.

No período noturno, foram realizadas duas palestras. O professor Juliano Paccos Caram, da UFFS, abordou o tema “A função dos desejos na ascese erótica do Banquete de Platão”, ao passo que o professor Márcio Soares, também da universidade, falou sobre “Ética e ontologia de Platão”. Élsio José Corá, que coordenou a mesa, comenta que esse tipo de encontro fomenta debates e, acima de tudo, reflexões, que podem e devem ser continuadas no ambiente acadêmico. “De maneira singular, acredito que cada acadêmico que se propôs a participar do evento demonstrou interesse e inquietudes filosóficas”, completa ele.

O acadêmico de Filosofia, Primo Hermínio Biruel, conta que as palestras tiveram grande valor de aprendizado e conhecimento. “Foram muito interessantes, pois falavam sobre o Belo, assunto que estávamos estudando em sala de aula”. Para ele o evento superou as expectativas, e os acadêmicos em geral aprovaram e tiraram grande proveito do colóquio. Corá assina embaixo: “Devido às discussões tecidas e ao número de participantes em relação à precocidade do evento e tempo disponível para sua organização, o colóquio deu conta de seu propósito, que era propiciar um encontro para o debate e reflexão”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

NELSON RODRIGUES E SUA DRAMATURGIA POLÊMICA

Por Camila Moura Marcon (Letras/Chapecó)
 
No sábado, dia 16 de outubro, acadêmicos do curso de Letras e professores do Campus de Chapecó foram prestigiar, no Campus de Erechim, o Prof. Dr. Ricardo Martins que ministrou a palestra sobre “O Popular e a Decadência em Nelson Rodrigues”,

Aos 17 anos Nelson Rodrigues assistiu seu irmão (seu ídolo) ser baleado por uma mulher. Ela havia sido prejudicada com a publicação de uma reportagem não autorizada sobre sua vida íntima. O fato foi tão trágico, que é visto como um divisor de águas nas obra Rodriguiana.

A figura da mulher então passa a ter uma presença muito forte, sendo a favorita, a principal, tornando-se o centro na dramaturgia de Nelson Rodrigues. Em suas frases polêmicas e cheias de humor, ela sempre se faz presente, como pode-se perceber em frases como: “ Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais”; “O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos”; e “Não existe família sem adúltera”.

É importante destacar que o dramaturgo escreveu sobre uma pesada atmosfera de totalitarismo, como confirma o prof. Ricardo: “Os indivíduos viviam uma grande repressão, mas a perversões sexuais sempre se fizeram presentes no Brasil, consequências de um país constituído sobre 3 grandes traumas ainda não resolvidos”. Seriam eles: o Holocausto que aconteceu contra a população indígena na época da colonização; a escravidão e a ditadura de 1964.

O retrato dessas consequências recaem sobre a família carioca, que por muito tempo foi a referência da família brasileira e o grande laboratório para escritores e artistas, sendo fielmente retratada nas obras Rodriguianas. Sendo assim, a traição, o desejo e as mais diversas formas de perversões estão fortemente presentes na trajetória do autor. A palestra foi encerrada com discussões interessantes, onde os temas abordados giraram em torno dos assuntos polêmicos que Nelson Rodrigues sempre fez questão de publicar.

UFFS e a carteirinha do passe estudantil

 Por Jéssica de Oliveira

Os estudantes da Universidade Federal da Fronteira Sul, necessitavam pedir o requerimento do atestado de frequência para recarregar seu passe uma vez por semana. Diante das necessidades dos acadêmicos, e do tráfego de informações da coordenadoria, a equipe do diretório de registro acadêmico e departamento de controle a fim de encontrar soluções temporárias, criaram uma nova carteirinha de estudante específica para o passe, com a intenção de facilitar o processo burocrático que envolve os estudantes no que se refere a diminuição de requerimentos para o atestado de frequência.

Portanto, esse documento resultará em um processo mais rápido, não sendo necessário todo este transtorno. O processo está funcionando desta forma: os alunos precisam pedir o seu requerimento da carteirinha, e levarem duas fotos, onde uma ficará com o departamento de controle e outra colada na carteirinha, assim o estudante pode ser identificado. Desta forma todo início de mês o estudante necessita fazer o requerimento do atestado de frequência como forma de demostrar que esta frequentando as aulas, logo, a coordenadoria de curso carimba o documento.

Segundo os acadêmicos da UFFS, como ainda não possuimos DCE (diretório central dos estudantes) que impossibilita uma carteira estudantil como nas demais universidades, essa ideia de criar uma "carteirinha para o passe" vai facilitar e muito, pois acreditam ser um direito dos estudantes.

A informação dessa nova carteirinha já chegou até as empresas onde são feitas as recargas. Assim sendo, o ano letivo de 2010 dos acadêmicos da UFFS no que diz respeito ao passe de ônibus de estudante e suas recargas está solucionado.

ESPECIAL: A UFFS E O DOMÍNIO COMUM

Para que serve o Domínio Comum?

Pesquisas mostram que mais de 50% dos graduandos não seguem carreira para a qual se prepararam


Por Atelli da Rocha (Letras / Chapecó)

Pesquisa do MEC, divulgada no final de 2007 pelo portal de notícias G1[1], revelou que mais de 70% dos formados em Cursos de Licenciatura, no Brasil, rejeitam as carreiras do magistério nas escolas brasileiras. Estudo inédito feito pelo Ministério da Educação mostrou ainda que, com exceção de Física e Química, em todas as outras áreas existem licenciados suficientes para suprir a demanda de professores no ensino básico. O estudo apontou, também, que cerca de 1,2 milhão de professores se graduaram nos últimos 25 anos, um crescimento aproximado de 66% desde o ano de 2001, mas eles não querem ir para a sala de aula.

A pesquisa pode parecer alarmante e um tanto desatualizada, já que se passaram quase três anos desde a sua divulgação pelo MEC e os números podem ter mudado. Porém, em mesa-redonda realizada no dia 14 de setembro na UFFS, com o tema “Domínio Comum e formação da cultura universitária”, o reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul, Professor Dilvo Ristoff, fez questão de citar alguns desses dados e ligá-los à realidade dos acadêmicos da UFFS hoje.

Ristoff afirmou que muitos dos formandos da universidade estarão, futuramente, trabalhando em outras áreas. Para exemplificar melhor o assunto, ele contou uma experiência pessoal que teve antes de se tornar professor. Cursou Direito por dois anos, mas abandonou o curso por não se identificar com a área. Ele disse que o conhecimento adquirido durante esse período pode tê-lo auxiliado a se tornar reitor da UFFS hoje.

Uma outra pesquisa, com dados do IBGE, realizada pelos pesquisadores Edson Nunes e Márcia Carvalho, comparou a profissão de cerca de 3,5 milhões de trabalhadores formados em 21 áreas distintas e detectou que 53% deles atuam hoje em carreira diferente daquela para a qual se prepararam. A situação, porém, varia conforme a carreira: em Enfermagem, o índice de quem segue a profissão é de 84%; já em Geografia, não passa de 1%.

A par dessas estatísticas e com o objetivo de oferecer a seus educandos uma formação mais sólida, completa, interdisciplinar e profissional, foi que a UFFS introduziu, em todos os 33 cursos oferecidos pela instituição, 11 disciplinas do Domínio Comum, que serão trabalhadas ao longo da graduação. São elas: Leitura e Produção Textual I e II, Introdução à Informática, História da Fronteira Sul, Matemática Instrumental, Direitos e Cidadania, Fundamentos da Crítica Social, Introdução à Prática Científica, Meio ambiente, economia e sociedade, Estatística Básica e Introdução ao pensamento social.

A inclusão dessas disciplinas nos cursos não busca reverter essas estatísticas divulgadas pelo MEC e também pelos pesquisadores Edson Nunes e Márcia de Carvalho, com base nos dados do Censo 2000, e sim possibilitar aos estudantes de todos os cursos um conhecimento mais vasto e abrangente sobre diferentes assuntos, e assim abrir caminho para que cada estudante faça as suas próprias escolhas e construa a sua própria história.

Pesquisa Comunica: a voz dos alunos da UFFS

Os dados acima suscitaram grandes questionamentos nos acadêmicos integrantes do projeto Comunica: será que essas estatísticas se repetem na UFFS? Para responder a essa questão, durante os dias 30 e 31 de setembro de 2010, o projeto Comunica realizou uma pesquisa no campus na Universidade Federal da Fronteira Sul, em Chapecó, cujo objetivo foi saber se os estudantes da instituição pretendem, ou não, seguir na área para a qual estão se preparando.

Os resultados obtidos revelaram que 100% dos estudantes dos cursos de Administração, Agronomia e Engenharia Ambiental escolheram estes cursos como primeira opção e pretendem seguir carreira na área. Já nos cursos de licenciaturas, o mesmo não ocorreu, conforme atesta o gráfico abaixo:
Pelo gráfico, é possível perceber que, com exceção do curso de Pedagogia, todas as demais licenciaturas apresentaram um índice considerável de estudantes que não pretende seguir a carreira de professor.

Para Angela Stübe, uma das coordenadoras do projeto Comunica, esses dados, ainda que iniciais e sem cunho científico, apontam para representações correntes na sociedade sobre a prática da docência e para o baixo interesse pela área. Indicam, acima de tudo, um dos desafios a ser abarcado pela UFFS: discutir a profissionalização docente. Outro fator a ser destacado em relação à pesquisa é “a iniciativa dos alunos que, a partir de uma explanação do Reitor, buscaram conhecer de modo mais concreto a opinião de seus colegas, demonstrando espírito investigativo e preocupação com demandas reais”.

Outro dado interessante da pesquisa tem com relação à escolha do curso pelo acadêmico (veja o gráfico abaixo). 50% dos estudantes de Sociologia, por exemplo, responderam que não escolheram o curso como primeira opção no processo seletivo 2009 da UFFS. Entretanto, 69% também afirmaram que pretendem, sim, ser professores, ou seja, quase 20% deles, apesar de não terem escolhido Sociologia inicialmente, acabaram se identificando ao curso.
 Ainda é cedo para fazer qualquer tipo de comentário sobre os resultados obtidos pela pesquisa. Contudo, vale a pena salientar que grande parte dos estudantes que não desejam ser professores veem nos cursos de licenciaturas oportunidades, como é o caso de Lidiane Putton, que escolheu o curso de Letras não para ser professora, mas para auxiliá-la no curso de jornalismo, graduação que ela pretende fazer futuramente.

Vale a pena ressaltar, também, que a pesquisa do Comunica não teve qualquer caráter científico, e uma nova pesquisa, quando os estudantes de licenciaturas tiverem sua primeira experiência em sala de aula, será de fundamental importância para esclarecer ainda mais esse assunto.

Um balanço do domínio comum

Por Lidiana Putton (Letras / Chapecó) e Lourdes Antunes (Pedagogia / Chapecó)

Definitivamente incorporado à rotina dos professores e alunos da UFFS, o domínio comum tem estado na pauta do dia da comunidade acadêmica. O evento realizado no dia 14 de setembro foi apenas a face mais visível desses comentários. Na prática, porém, a novidade tem frequentado um sem-número de conversas informais e papos de corredor. Por isso, fomos atrás de alunos e professores do campus de Chapecó para saber o que eles pensam e como estão lidando com essa inovação.

“A UFFS não quer formar apenas bons profissionais, mas também cidadãos conscientes”, afirma a professora de espanhol Maria José Laiños, coordenadora do curso de Letras. “É isso que torna o domínio comum tão importante”. O estudante Douglas Marolli, do curso de Filosofia, faz coro. "As disciplinas comuns devem ser não apenas bem vistas, mas também bem aproveitadas. Como qualquer outra, aliás”. A acadêmica de Pedagogia Aline Flores não fica atrás: “Elas nos preparam para seguir em frente nos outros domínios – conexo e específico”.

Mesmo com tanta disposição, o bom aproveitamento não tem sido a regra em todos os casos. O professor Antônio Marcos Correia Neri, que leciona Matemática Instrumental nos cursos de Administração e Engenharia Ambiental, se mostra preocupado com os resultados abaixo da expectativa. "Falta uma base melhor do Ensino Médio. Pesa ainda a falta do hábito de estudo por parte dos alunos e o tamanho da ementa, que é muito extensa", analisa. Seu colega Eduardo Estrada, que leciona a mesma disciplina para o curso de Letras, assina embaixo. “Os alunos estão passando por um choque cultural, que se manifesta de diversas formas. Uma delas é a cobrança nos estudos, que devem necessariamente aliar disciplina e dedicação”.

A percepção dos professores é confirmada pelos números. Segundo as professoras Solange Maria Alves, pró-reitora de graduação, e Zenilde Durli, diretora de assuntos pedagógicos, as disciplinas ligadas às humanidades foram as que tiveram os melhores resultados no primeiro semestre – e o grande nó está mesmo na Matemática Instrumental. “Nosso papel agora é avaliar o porquê dessa dificuldade e como resolvê-la”, afirma Solange (ver entrevista abaixo).

As lacunas da educação básica parecem ser, pelo menos, parte do problema. Para o professor Antonio Alberto Brunetta, coordenador do curso de Pedagogia, pelo menos duas disciplinas têm o objetivo claro de nivelar o conhecimento do ensino médio: Matemática e Leitura e Produção Textual (veja abaixo os depoimentos dos professores). Na opinião da professora de Estatística Básica Joseane Sternadt, este é um nivelamento necessário: “A Estatística requer conhecimento que os alunos deveriam ter aprendido nos anos anteriores. Por isso, ela demanda algum mecanismo de apoio”.

As estudantes de Pedagogia Simone Marouse e Marta Beatriz de Couto não fogem ao desafio. Para elas, o Domínio Comum tem o poder de gerar inclusão. Por isso, afirmam com todas as letras: “Estamos aqui para aprender, e consequentemente crescer junto com a UFFS”.

COMUNICA ENTREVISTA:  
Professoras Solange Maria Alves e Zenilde Durli

 Por Camila Marcon (Letras / Chapecó) e Duana Gerhardt (Administração/ Chapecó)

Para o Especial Domínio Comum, ao Projeto COMUNICA realizou uma entrevista dupla. Com vocês, a Pró-reitora de Graduação Solange Maria Alves e a Direta de Organização Pedagógica Zenilde Durli, falando sobre as propostas e os desafios do Domínio Comum.

Comunica: Hoje em dia, é comum ouvirmos críticas à superespecialização profissional. A proposta do domínio comum seria uma espécie de resposta a essas críticas?

Professora Solange Maria Alves: De certa forma, sim. Com base nos dados da educação brasileira, percebemos que há uma realidade crítica no país: mesmo com vagas no mercado de trabalho, existe um grande deficit na capacitação dos profissionais. A falta de habilidades nas áreas de comunicação, cálculos e informática decorre de um ensino que não se preocupa com a formação geral do acadêmico, e por consequência prejudica a sua futura carreira.

Professora Zenilde Durli: O domínio comum responde necessariamente a dois objetivos. O primeiro está ligado à necessidade de desenvolver, durante o processo de formação, habilidades básicas de escrita, leitura e interpretação. O segundo consiste em oferecer a todos os estudantes da UFFS conhecimentos das áreas das humanidades, com o objetivo de produzir posicionamentos mais críticos em relação à realidade social. Nesse sentido, o domínio comum é mais do que uma resposta ao problema da superespecialização. É uma resposta ainda a duas outras questões: de um lado, os resultados das avaliações de desempenho em larga escala; de outro, a urgência de pensar um currículo inclusivo do ponto de vista das possibilidades de leitura e inserção social.

Comunica: Que influência se espera que as disciplinas do domínio comum tenham na formação do egresso?

Zenilde: Do conjunto de 11 disciplinas do domínio comum, esperam-se duas contribuições. Primeiro, elas devem contribuir para uma atuação profissional mais qualificada no âmbito das habilidades gerais de leitura, escrita, interpretação e análise de dados. Mas, sobretudo, devem possibilitar uma inserção e atuação social mais consciente e crítica.

Solange: Nós esperamos que os acadêmicos da UFFS saiam com uma boa capacidade de interpretar o mundo, saibam escrever com clareza e consigam fazer uma análise textual e ao mesmo tempo uma análise crítica da realidade. Para isso, é importante ter um conhecimento instrumental nas mais diversas áreas, como a matemática e a informática. É fundamental compreender a importância de cursar disciplinas que servem como ferramentas intelectuais. Sem falar que aprender com elas vai além de instrumentalizar. É formação de cidadania, é comprometimento de mundo.

Comunica: As senhoras têm dados sobre o desempenho dos alunos nas disciplinas do domínio comum no primeiro semestre? De modo geral, como eles se saíram?

Zenilde: No primeiro semestre de 2010, o índice de aprovação dos estudantes nas disciplinas ofertadas ficou em torno de 85 %. Nesse grupo, as notas foram boas, em geral variando entre 6 pontos, que é a média mínima para aprovação, e 8 pontos. De modo geral, o desempenho foi melhor na área das humanidades – como nas disciplinas de Introdução ao Pensamento Social e História da Fronteira Sul.

Solange: Ficou claro que o problema maior é em Matemática. Agora, nosso papel é avaliar o porquê dessa dificuldade e como resolvê-la.

Comunica: Existiria o risco de o domínio comum tomar um espaço excessivo das disciplinas específicas? Isso não poderia comprometer a formação dos estudantes nas suas áreas específicas?

Solange: Não há esse risco. Quando se cria um curso novo, a grade curricular é formada com base nas Diretrizes Nacionais de Educação. Para que o curso seja ofertado, as exigências das Diretrizes Nacionais têm de ser cumpridas, pois são elas que determinam as cargas horárias das disciplinas específicas. Então, posso garantir que nenhum curso da UFFS sairá prejudicado com a inserção das disciplinas de domínio comum em conjunto com as dos domínios conexo e específico.

Zenilde: As diretrizes nacionais de todos os cursos de graduação estabelecem dois grandes grupos de conhecimentos a serem trabalhados nos cursos: conhecimentos gerais e conhecimentos específicos. Assim, trabalhar com disciplinas voltadas para habilidades gerais e conhecimentos atuais não é apenas um dos princípios da organização curricular dos cursos da UFFS – é também uma determinação legal. O domínio comum da UFFS compreende 660 horas, ao passo que a média da carga horária total das matrizes curriculares é de 3.579 horas. Isso significa que os conhecimentos gerais correspondem, em média, a 18,4% da carga horária dos cursos.

Comunica: Não haveria o risco de as disciplinas do domínio comum se tornarem muito superficiais?

Zenilde: O domínio comum precisa ser compreendido, no âmbito dos cursos, como parte da formação necessária também para o bom desempenho nos conhecimentos específicos. Se não houver essa compreensão, então o risco se torna real.

Solange: É um risco que existe em todas as disciplinas, sejam elas de domínio comum, conexo ou específico. O desafio de fornecer conhecimento e instrumentalizar só pode ser superado com a força e a organização dos docentes junto com a contribuição frequente dos acadêmicos, para que todas as disciplinas ofertadas ao longo de cada curso não se tornem superficiais.

Comunica: Há a expectativa de que o professor de uma disciplina do domínio comum adapte suas aulas em função do curso de graduação para o qual elas são ministradas?

Solange: Embora a ementa seja igual para todos, cabe ao professor a sensibilidade de perceber como instigar determinado assunto conforme a área em que o acadêmico se encontra, provocando o interesse com exemplos, diálogos e observações.

Zenilde: Considerando que a ementa não muda, com a finalidade de contextualizar o conteúdo, o professor pode adequar sua metodologia de trabalho, usando exercícios e exemplos direcionados.

COMUNICA ENTREVISTA: 
Professor Antonio Alberto Brunetta

Por Lourdes Antunes (Pedagogia / Chapecó)

Coordenador do curso de Pedagogia e professor da disciplina Iniciação à Prática Científica, que integra o Domínio Comum, o professor Antonio Alberto Brunetta respondeu algumas perguntas do Projeto COMUNICA.

Comunica: Você concorda com a proposta do Domínio Comum?

Professor Antonio Alberto Brunetta: Acredito que o Domínio Comum é uma estrutura pensada para criar interação entre os cursos e organizar os currículos de Ensino Superior no Brasil. Mas vem sendo questionada frente às exigências de conhecimento especializado, pois essa mudança teve o objetivo de superar a falta de contato entre os cursos e gerar mais interação. No entanto, as áreas ainda são muito bem definidas nas ciências. Por isso, o fato de haver matérias iguais em cursos diferentes não garante que o dialogo se dará. Talvez isso só comprometa a formação especializada de cada um deles.

Comunica: Você acredita que as disciplinas do Domínio Comum são de fato relevantes para a formação do acadêmico?

Brunetta: As disciplinas Matemática e Leitura e Produção Textual têm um propósito muito claro: nivelar o conhecimento trazido da Educação Básica. Isso se explica pelo caráter popular e inclusivo da nossa instituição. Afinal, temos alunos oriundos de trajetórias escolares muito diversas, o que geraria a necessidade de um nivelamento. Na prática, essas disciplinas trouxeram ainda um ganho adicional: elas permitiram que temáticas de outros componentes curriculares fossem trabalhados. Nesse sentido, foi muito comum que professores dos três domínios dialogassem entre si. Então, era possível, por exemplo, trazer textos de outras disciplinas para a aula de Leitura e Produção Textual. Essa diálogo funcionou muito bem e permitiu aos alunos tanto rever conteúdos quanto aprender conteúdos novos.

Nas disciplinas Introdução ao Pensamento Social e Historia da Fronteira Sul, há uma outra justificativa, que é a adequação da universidade ao cenário regional. Há a preocupação de que a UFFS cumpra um papel importante na sua região de abrangência. Por conta disso, justifica-se tanto uma disciplina de caráter crítico quanto uma que venha a apresentar o espaço no qual a universidade se insere.

Em todos esses casos, porém, vejo um risco. Cada uma dessas disciplinas pode fazer todo sentido para um determinado curso e, ao mesmo tempo, ficar muito solta e aparentemente despropositada para outras carreiras. Com isso, elas acabam se transformando em um peso para certos alunos. A exceção aqui é, talvez, Iniciação à prática científica, já que ela busca situar o acadêmico no universo em que ele acaba de ser inserido.

Comunica: Como foi o desempenho dos estudantes na sua disciplina no primeiro semestre?

Brunetta: Bastante positivo, principalmente em face da heterogeneidade da turma. Como foi a primeira turma do primeiro ano de funcionamento da universidade, me falta um elemento de comparação. Mas, de fato, eu fiquei satisfeito – às vezes, nem tanto pelo desempenho nas provas escritas, mas pela participação dos alunos em sala e pelos debates travados. Ficou claro que eles capturaram a ideia central da disciplina.

Um movimento que eu procurei garantir foi o de tomar a própria vida nascente da UFFS como referência para os debates. Nesse contexto, discutimos questões importantes: as deliberações sobre o estatuto, a realização da Coepe no diálogo entre universidade e comunidade... o próprio Domínio Comum foi um dos temas usados como exemplo para discutir qual é o papel da universidade. Pelas respostas dadas em sala, posso avaliar positivamente a experiência.

Comunica: Você considera que o Domínio Comum tem o tamanho ideal?

Brunetta: Não sei se é possível responder isso agora. Mas, enquanto nós tivermos a convicção de que as questões de currículo na universidade são um campo de luta permanente, então o currículo irá sempre se ajustar aos interesses da comunidade acadêmica e de toda a região.

Comunica: Você trabalha (ou pretende trabalhar) uma mesma disciplina de maneira diferente em cursos diferentes?

Brunetta: Com o tempo, aprende-se a lidar com isso didaticamente, a ser flexível em termos de exemplos. Só que, mais uma vez, é um campo de luta, uma disputa permanente. E é um dilema com nós mesmos, para saber como dosar o conteúdo da disciplina para cada curso, e verificar os casos que exigem adequações mais ou menos radicais. Em síntese, o Domínio é Comum, mas não pode ser Homogêneo.

FALA, PROFESSOR

A convite do COMUNICA, professores de todas os componentes curriculares do Domínio Comum que já foram lecionados falaram sobre suas disciplinas e sobre a importância delas para a formação dos acadêmicos. Confira!

1. Introdução ao Pensamento Social

O componente curricular Introdução ao pensamento social tem como principal objetivo permitir ao aluno o contato com conceitos e teorias do campo das ciências sociais (Antropologia, Sociologia e Ciência Política) que contribuam para a formação crítica perante o mundo social. O conjunto dos componentes humanísticos do domínio comum possibilita que o profissional de qualquer área do conhecimento atue profissionalmente e socialmente com uma capacidade reflexiva e argumentativa embasado por um pensamento científico e político acerca da sociedade.

Professor Leonardo Rafael Santos Leitão
Campus Chapecó

2. Leitura e Produção Textual I e II


Estas disciplinas têm como ferramenta de trabalho o texto, tanto na modalidade falada quanto na escrita. Trata-se que, dentre outros objetivos, visa à exploração da linguagem, em eventos de comunicação oral e escrita, e, consequentemente, ao desenvolvimento da proficiência do aluno de graduação não só naqueles gêneros discursivos que circulam no meio acadêmico, mas também naqueles que circulam socialmente, seja no âmbito profissional, seja no pessoal.

Professora Claudia Rost Snichelotto
Campus Chapecó

3. Introdução à Informática

Esta disciplina tem como um dos seus objetivos possibilitar aos acadêmicos a consolidação plena da cidadania, já que hoje é indispensável para qualquer pessoa o uso de computadores e o conhecimento das diversas formas de comunicação e interação que ele permite (por exemplo, através da Internet, uma solicitação de serviços, uma movimentação financeira ou mesmo uma simples pesquisa ao noticiário). Outro aspecto fundamental é o conhecimento de ferramentas básicas de produtividade pessoal, tais como um editor de texto, uma planilha eletrônica e um software de apresentação, que fazem parte da rotina de qualquer profissional, independente da área de formação.

Professor Everton Miguel da Silva Loreto
Campus Chapecó

4. História da Fronteira Sul

Este componente curricular pressupõe que o conhecimento da história do grupo humano da região de abrangência da fronteira sul é imprescindível na formação integral do acadêmico e na compreensão da trajetória da sociedade onde ele está inserido e se percebe como sujeito crítico e agente de transformação. Após a conclusão do primeiro semestre, os relatórios escritos pelos alunos da disciplina apontam que os objetivos propostos foram alcançados com bons resultados. Eles relataram que estes estudos históricos contribuíram na formação profissional, possibilitaram mudanças na visão dos fatos, permitiram conhecimentos novos, compreensão dos contextos históricos passados e uma visão de mundo diferente. Em suma, permitiram ao acadêmico ampliar sua visão sobre importantes aspectos históricos, correlacionando-os com a sua formação acadêmica específica e com o tempo presente.

Professor Delmir Valentini
Campus Chapecó

5. Iniciação à Prática Científica

Questões curriculares no ensino superior expressam um processo dinâmico e um campo de luta permanente. A criação de cursos superiores pautados em concepções de currículo flexíveis subjazem ao paradoxo “especialização-interdisciplinaridade”. Penso que nenhum desses caminhos é adequado. A especialização compromete a formação humana integral; a interdisciplinaridade, por sua vez, inviabiliza a participação ativa nas pesquisas conforme estão definidas atualmente. Foi nesse contexto paradoxal que a UFFS fez sua opção (também dinâmica e em disputa) por estruturar-se a partir da concepção interdisciplinar, organizando-se em Domínio Comum, Domínio Conexo e Domínio Específico. Assim, ao lecionar o componente curricular “Iniciação à Prática Científica”, cujo objetivo remete à compreensão introdutória acerca da vida acadêmica em seus mais diversos aspectos (do metodológico ao político), me esforço por deixar claro aos alunos que essas questões estão inseridas num contexto político e econômico mais amplo, de modo a construir para eles uma visão crítica pautada na interpretação dos limites e das possibilidades da universidade, vista como espaço de produção de conhecimento.

Professor Antonio Alberto Brunetta
Campus Chapecó

6. Matemática Instrumental


Justificar a presença da da disciplina “Matemática Instrumental” no Domínio Comum passa pelo nosso real entendimento acerca da importância dessa área do conhecimento como um dos pilares de nossa constituição como cidadãos e agentes transformadores da sociedade. Quem de nós, ainda que de forma indireta, não se depara, no dia-a-dia, com questões envolvendo proporções, porcentagem, matemática financeira, gráficos e geometria? E quem, notando-se pouco desenvolto nesse tipo de questões, não acaba por sentir-se limitado, privado de um conhecimento tão básico? Pois bem, eis o objetivo da “Matemática Instrumental” em nossos currículos: fornecer aos alunos conhecimentos que, por motivos diversos, foram-lhes privados; conhecimentos que lhes serão imprescindíveis para desempenharem plenamente sua cidadania. Ademais, dadas as características intrínsecas da matemática – quais sejam, o desenvolvimento da capacidade de abstração e de organização e aprimoramento do raciocínio humano –, a disciplina ocupa um papel muito importante para a formação geral do egresso e um papel estratégico para as demais disciplinas da UFFS.

Professor Eduardo Estrada
Campus Chapecó

7. Meio Ambiente, Economia e Sociedade


Esta disciplina tem como objetivo discutir a evolução da sociedade a partir das forças econômicas, políticas e sociais que a constituem. O componente curricular inicia com um estudo da evolução dos modos de produção que o mundo experimentou desde seus primórdios. Na sequência, analisa-se a construção do pensamento econômico, que se desenvolveue para dar respostas aos problemas (crises) que surgem do/no mundo capitalista e também para justificar o seu funcionamento. Nesse momento da disciplina, a economia de mercado e suas contradições passam a ser o principal alvo de discussão, e grandes temas emergem: dentre eles, o papel do Estado na economia, ciclos econômicos e revoluções tecnológicas. Por fim, faz-se uma leitura das implicações dessa evolução do capitalismo sobre a degradação do meio ambiente e discutem-se modelos de desenvolvimento econômico sustentáveis e alternativos ao atual.

A importância da disciplina para o currículo dos acadêmicos da UFFS reside no fato de que a compreensão da “socioeconomia” moderna e dos caminhos que ela segue é facilitada pelo entendimento das questões propostas. Sendo assim, a disciplina visa a contribuir para um olhar crítico e para uma ação transformadora do indivíduo na sociedade.

Professor Darlan Cristiano Kroth
Campus Chapecó

8. Direitos e Cidadania


O componente curricular “direitos e cidadania” pertence ao domínio comum, o que significa que, independentemente da área em que se inscreva o curso escolhido pelo estudante, – seja engenharias ou humanidades – ele é oferecido como conteúdo obrigatório da grade curricular.
Assim, a partir da ementa da disciplina coloca-se um parâmetro e um futuro possível: nesse sentido, o tema “direitos e cidadania” abre para o estudante, por um lado, dois campos conexos de conhecimento e, por outro, fornece algumas balizas teóricas e históricas para que ele possa mensurar e historicizar o seu presente.

Trata-se de percorrer seletivamente os campos da história das ideias políticas e da ciência e filosofia política, o que leva de início aos gregos e romanos. Aprende-se que, através das contradições das cidades-estados da antiguidade – escravistas e imperialistas, que excluíam as mulheres e os estrangeiros – a cidadania se confunde com a própria política e ser cidadão é – como mostra Aristóteles - participar ativamente na escolha e condução dos negócios coletivos, e se necessário ir a guerra para defender a polis. Segue-se, entretanto, o declínio do mundo antigo, e bem mais tarde o renascimento que recoloca a política no cerne de suas preocupações teóricas, mas agora em outras bases. É preciso compreender teoricamente, então, o surgimento do Estado moderno, pois é no seu interior que nasce o indivíduo possuidor de direitos naturais invioláveis – a vida, a liberdade, a propriedade. A era das Revoluções Burguesas assinala o nascimento do mundo moderno e da consolidação e universalização do capitalismo, e a teoria dos direitos naturais – ou contratualismo - é parte integrante desse longo processo, que culmina na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. A esta altura, espera-se, fica evidente para o estudante a conexão entre direitos e movimentos sociais, e o seu significado histórico e político. O que leva, no passo seguinte, a tratar do Brasil, revisitando sua história em termos das lutas políticas e reconstituindo, como faz José Murilo de Carvalho, o longo caminho da cidadania brasileira e dos direitos políticos e sociais (ou a sua ausência).

Cumpre assinalar que tal disposição de conteúdos não é a única possível nem tampouco definitiva, assim como cabe ao professor adaptá-la às idiossincrasias do curso e do estudante que é seu público.

Professor Fábio Carminati
Campus Chapecó

9. Estatística Básica

A estatística tornou-se uma segunda língua necessária em qualquer leitura, da mais a menos elitizada. Sem conhecimento mínimo de estatística o indivíduo não consegue interpretar tabelas, gráficos e não é capaz de entender termos básicos amplamente usados nas diversas mídias. Um indivíduo que não conhece a estatística descritiva pode se considerar apenas parcialmente alfabetizado, pois seu juízo de valor fica limitado.

Do pondo de vista acadêmico, toda e qualquer afirmação que não esteja acompanhada de validação estatística não passa de mero “achismo” e seu valor científico é nulo.

Professora Joseane Sternadt
Campus Chapecó

Você sabe o que significam as labaredas da UFFS?

 Por Gabriel Scheffer (Letras / Chapecó)


 A Universidade Federal da Fronteira Sul possui chamas verdes como sua marca identificadora. Mas será que todos os estudantes sabem o que realmente significa este símbolo? Para investigar esta questão, fomos ouvir alguns alunos de diversos cursos da UFFS.

As respostas foram as mais variadas. Anísia Ripplinger e Micheli Pligol, acadêmicas do curso de Pedagogia, admitiram que não têm a mínima ideia do que as labaredas significam. Mesmo assim, decidiram arriscar um palpite: “Representam a chama da arte, e se referem a um caminho no meio da paisagem”. Suas colegas de curso Janete Almeida e Sandra Piassoli também arriscaram um significado: “A marca representa o fato de que todos os caminhos se unem em um mesmo objetivo. E também a ideia de fazermos a diferença juntos”, acreditam. O aluno de Filosofia Vagner Canei afirma que não se recorda do significado, mas resolve tentar: “É baseado na teoria de um determinado filósofo.

Outros alunos tiveram um desempenho melhor e acertaram parcialmente o resultado. Os estudantes do curso de Filosofia Vonir Blasek e Douglas Dalanhol Marolli afirmam que a marca se baseia nos três eixos que formam a Universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão. Já as estudantes do curso de Letras Bruna Barninzki e Delcivani Kotwitz dizem que as três chamas representam os três estados do Sul. O fato, no entanto, é que todos tinham dúvidas em relação ao real significado da marca UFFS.

E afinal, qual é a resposta certa? Primeiramente, as três labaredas verdes representam os três valores clássicos: Beleza, Justiça e Verdade. Também remetem ao comprometimento da UFFS em transformar-se em polo de referência entre as universidades do país ao centrar suas atividades no tripé Ensino- Pesquisa-Extensão. As três categorias que compõem a comunidade universitária também estão representadas na labareda: professores, técnicos e alunos. Além disso, a UFFS tem seus campi situados na região da fronteira dos três estados do sul do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Biblioteca: uma ponte para o saber

Saiba como funcionam os processos administrativos que possibilitam o
funcionamento das bibliotecas nos campi da UFFS.

As alunas do Curso de Medicina Veterinária, Júlia e Marina,
na inauguração da biblioteca do Campus Realeza.

Por Patrícia dos Santos (Letras/Realeza)
Foto: Christiano Castellano

Os cinco campi da Universidade Federal da Fronteira Sul (Chapecó-SC, Cerro Largo-RS, Erechim-RS, Laranjeiras do Sul-PR e Realeza-PR) foram contemplados com bibliotecas ainda no primeiro semestre.

A interligação dessas bibliotecas se dá através de um Sistema de Bibliotecas (SiBi/UFFS), e é assessorado por três divisões: Divisão de Administração, Planejamento e Projetos; Divisão de Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento de Produtos; e Divisão de Políticas de Acervos e Tratamento da Informação.

A bibliotecária da Divisão de Políticas de Acervos e Tratamento da Informação, Sabrina Vaz, e o administrador responsável pela Divisão de Administração, Planejamento e Projetos, Itamar Luiz Breyer (ambos do Campus Chapecó), explicaram ao Comunica como essas três divisões realizam um serviço cooperativo para a aquisição dos materiais bibliográficos: a primeira prepara os processos licitatórios, participando e fiscalizando o processo; a segunda monitora a evolução das tecnologias da área a fim de promover a sua incorporação visando a atualização tecnológica permanente dos serviços das Bibliotecas; e a terceira realiza o tratamento da informação, que planeja, organiza, coordena, dirige e controla os serviços de seleção, catalogação e classificação do material informacional, registrando, verificando, catalogando, e classificando conforme os padrões internacionais definidos.

Os colaboradores afirmaram ainda que este processo tem a finalidade de aquisição dos materiais bibliográficos, embasada nos Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC’s), nos quais constam os pedidos dos professores. Esta atividade é realizada igualmente para os cinco campi da UFFS. Porém, nem todas as obras irão para todos os campi. A distribuição é realizada conforme o número de alunos e os cursos de cada campus. Os professores podem, no decorrer do semestre, fazer sugestões de aquisição pertinentes às disciplinas que ministram. Os títulos sugeridos serão adicionados ao pedido quando houver disponibilidade orçamentária para tal.

A biblioteca do Campus Realeza

A biblioteca do Campus Realeza está funcionando desde o mês de maio, e apesar de ainda possuir um tímido acervo, é frequentemente visitada e utilizada pelos alunos.

O servidor Guilherme Augusto Schmidt, que assumiu a função de bibliotecário por não haver aprovados em biblioteconomia no primeiro concurso aberto pela UFFS, trabalha juntamente com o servidor Giuliano Kluch, desenvolvendo um papel importante dentro da Universidade: mediar a relação dos alunos com os livros. O colaborador Guilherme falou ao Comunica sobre o seu trabalho na UFFS: “O nosso trabalho é o de sermos facilitadores para que os alunos consigam usar o acervo da biblioteca. É claro que agora, de início, temos poucos livros. Além disso, muitos títulos não têm uma aplicação imediata para as disciplinas que estão sendo ofertadas nessa etapa inicial dos cursos. É o caso do material de Direito”.

Sobre o registro dos empréstimos, afirmou que a forma como isso vem sendo trabalhado ainda é “precária”, mas tende a melhorar: “No futuro, todas as bibliotecas da UFFS irão usar o sistema Pergamum, que irá facilitar todo o processo, permitindo até, segundo informações que recebemos, que alunos possam fazer empréstimos entre as bibliotecas dos cinco campi”.

O Pergamum é um gerenciador de bibliotecas desenvolvido pela PUC-PR. O sistema contempla as principais funções de uma biblioteca, funcionando de forma integrada da aquisição ao empréstimo das obras. O objetivo dos desenvolvedores na construção do software é aproveitar as principais ideias de cada instituição (universidades, centros de ensino de Ensino Fundamental e Médio, empresas, órgãos públicos e governamentais), a fim de manter o programa atualizado e atuante no mercado, tornando-o capaz de gerenciar qualquer tipo de documento.

Como é do conhecimento de toda a comunidade acadêmica, a biblioteca mantém algumas regras que se referem a empréstimos, multas, proibição de alimentar-se ao manusear os livros e de circular pelo ambiente com mochilas. Segundo Guilherme, “são regras emanadas da biblioteca central e tem o objetivo, justamente, de preservar e normatizar da melhor forma possível a biblioteca, para que ela se torne, realmente, uma ferramenta a mais que os alunos terão para a formação acadêmica”.

Aproveitando o ensejo, o servidor contou que a biblioteca está tendo alguns problemas no que se refere a livros devolvidos sujos, molhados, rasgados. Pediu para que os alunos ajudem a cuidar da biblioteca, pois ela é um patrimônio público, pago com os impostos de todos.

O atual bibliotecário finalizou falando sobre sua satisfação ao desenvolver esse trabalho de constante interação com alunos e professores: “Está sendo muito bom trabalhar neste setor da Universidade aqui de Realeza. Os alunos estão sendo muito educados, e também compreensivos no que se refere a todas as dificuldades e precariedades com que temos de lidar neste momento. Mas as expectativas são boas para o futuro, e nisso nos fixamos”.