terça-feira, 30 de novembro de 2010

Projeto de Educação Tutorial (PET) no Campus Cerro Largo

Por Raul Franzmann (Agronomia/Cerro Largo)

O campus Cerro Largo, assim como os outros campi da UFFS, foi contemplado no Programa de Educação Tutorial (PET). Esse programa, formado por grupos tutoriais de aprendizagem, integra atividades de ensino, pesquisa e extensão, propiciando aos alunos participantes, sob a orientação de um tutor, a realização de atividades extracurriculares que complementem a formação acadêmica do estudante e atendam às necessidades do próprio curso de graduação.

Após abertura de um edital nacional para constituição de novos grupos PET e a chamada interna da UFFS para formulação de propostas, um grupo de professores do Campus Cerro Largo, coordenado pelo Prof. Roque Güllich, constituiu uma proposta de educação tutorial para o curso de Licenciatura em Ciências: Biologia, Física e Química, que conta, atualmente, com 150 alunos. A proposta do Campus Cerro Largo busca integrar as áreas das Ciências, com especial referência ao meio ambiente e à formação de professores, temas do PETCiências.

Segundo o professor Roque, os PETianos – os alunos que se envolverão no projeto - vão desenvolver atividades como pesquisa, integração do curso com a UFFS e ainda produção de material didático. A comunidade local poderá interagir com o programa por meio de atividades de pesquisa, cursos de formação e extensão e ainda por meio da participação em eventos e atividades de avaliação e divulgação. Todas essas atividades farão com que a comunidade fique mais próxima da universidade.

No campus Cerro Largo, o processo de seleção dos bolsistas e voluntários se deu em três etapas. Inicialmente, abriu-se o processo de inscrições, quando os interessados deveriam entregar uma carta de intenções. Em seguida, a banca responsável fez uma análise do histórico dos alunos, da carta de intenções e da sua participação em atividades de pesquisa e extensão. Na última etapa, os alunos foram entrevistados com o objetivo de destacar quatro bolsistas e dois voluntários. O número de participantes, nos próximos anos, atingirá doze bolsistas e seis voluntários.

A seleção contou com a participação de 11 alunos do Curso de Ciências e foi uma experiência significativa para formação dos licenciandos e também para a prática dos professores da banca. Participaram da seleção, além do Prof. Roque, os professores Edemar Rotta (tutor do programa) Erica Hermel (vice-coordenadora da proposta) Luís Gastaldo (coordenador do curso de Ciências) e Daniela Oliveira (professora do Curso). Tornaram-se bolsistas do PETCiências os alunos: Tamini, Alex, Carine e Kelly.

Segundo o Prof. Roque, O PET representa uma conquista importantíssima para o campus e para toda a universidade. Ele ressaltou que este foi o primeiro projeto do campus Cerro Largo a ser aprovado em âmbito nacional, em livre concorrência com todas as universidades do país.



                                               Processo de Seleçao dos alunos do programa

25 de Novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

“Que nada nos sujeite. Que nada nos defina. Que a liberdade seja a nossa própria substância” (Simone de Beauvoir).

Por Ângela Roman (Medicina Veterinária/Realeza)

O dia 25 de novembro foi estabelecido como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Em homenagem às irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Tereza), esta data foi definida no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em Bogotá no ano de 1981. Elas foram assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.

Em 1991, neste mesmo dia, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres. A campanha teve 16 dias de ativismo contra violência à mulher, vindo a terminar propositalmente no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração dos Direitos Humanos. Entretanto, só em março de 1999 que o dia 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.

A esfera jurídica, violência significa “qualquer espécie de coação, ou forma de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua vontade. É igualmente, ato de força exercido contra as coisas, na intenção de violentá-las, devassá-las, ou delas se apossar”. Apesar do reconhecimento judicial, a violência está tomando dimensões cada vez maiores e visíveis, atingindo pessoas de todas as raças, etnias e classes sociais, sendo manifestada na família, no trabalho, nos lugares de lazer, na rua, no poder público, nos espaços religiosos...

A violência tem como alicerce a estrutura social em que vivemos, na qual toda a forma de opressão e agressão é uma prática justificada pelo sistema. Contudo, trata-se de uma prática silenciosa que, mascarada, humilha as mulheres pelo simples fato de serem mulheres.

Não sendo suficiente, usa-se a imagem da mulher para fins comerciais, padronizando corpo, comportamento, roupas, estilos e, inclusive, a alimentação. Esse caráter multifacetado da opressão destrói os sonhos e a dignidade das mulheres, as quais, desde crianças, através da educação tradicional, são submissas à dominação masculina e limitadas aos arredores de uma casa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os dados são alarmantes em nosso país. Eles revelam que a violência atinge uma faixa de 10% a 65% das mulheres, sendo essa ocorrência no âmbito doméstico, pelo marido, pai, tio, padrasto, irmão...

As conseqüências da violência para a nossa vida são graves. Manifestam-se na culpa, na vergonha, na agressão física, e no medo de reagir e de se colocar como mulher capaz de transformar esta situação e construir um outro mundo. Alguns tipos de violência podem ser citados:

Violência da opção sexual: caracterizada pelo menosprezo de lésbicas e bissexuais. Ela não tem fronteira, acontecendo em todas as classes sociais, religiões, idades e espaços.

Violência pela sobrecarga do trabalho: manifesta-se através da sobrecarga do trabalho da mulher; além de ela ser responsável pela contribuição financeira em casa, cabe a ela as “obrigações de mãe e esposa”, como a responsabilidade do trabalho doméstico, o cuidado e educação dos filhos, sendo que essas ações não são reconhecidas. Além disso, lhe é negado o direito de decidir.

Violência pela desvalorização e condição social: é expressa na dificuldade que a mulher tem de estudar, de adquirir seus documentos pessoais e profissionais, no não acesso à saúde e à informação.

Violência física: são as agressões físicas que começam com tapas e puxões de cabelo e acabam em espancamento e, muitas vezes, em morte. A violência física acontece com maior incidência no espaço familiar.

Violência moral e verbal: repetidas agressões verbais que acabam destruindo a auto-estima da mulher. A violência moral acontece quando a mulher é caluniada, injuriada ou difamada, principalmente no âmbito doméstico.

Violência psicológica: manifesta-se pela imposição do medo, por apresentar-se de foram sutil; é a que ocorre com mais freqüência, sendo a mulher criticada e comparada, seja no aspecto físico ou social. Ela é impossibilitada de sair de casa e de cultivar amizades, situação que, no futuro, poderia vir a prejudicar o opressor através da denúncia.

Violência Sexual: quando a mulher é obrigada, através do uso da força ou ameaça, a manter relações sexuais contra a sua vontade. A violência sexual ocorre em grande parte dentro do espaço familiar e é praticada por homens em quem as vítimas possuem grande afinidade e/ou confiança (pais, companheiros, irmãos, etc), revelando que as mulheres não têm o direito de decidir sobre seu corpo e o seu prazer, sendo passíveis, inclusive, da realização de aborto.

Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição. É produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.

Violência institucional - tipo de violência causada pelas desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e se institucionalizam tanto nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como, também, nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.

No dia 7 de agosto de 2006, foi sancionada a Lei 11.340/06 – A Lei Maria da Penha, que tipifica os crimes de violência contra a mulher e possibilita que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada no caso de ameaçarem a integridade física da mulher. A Lei prevê, ainda, medidas de proteção para a mulher que corre risco de vida, como o afastamento do agressor do domicílio e a proibição de sua aproximação física junto à mulher agredida e aos filhos(as).

Contudo, muito ainda tem que ser avançado. Estima-se que hoje metade das mulheres agredidas sofrem caladas, e é bem provável que a outra metade não se dê conta da agressão. Tem-se que o medo e a vergonha são mecanismos evidenciam esses índices.

A violência contra as mulheres afeta toda a estrutura familiar através de marcas de sofrimento que atravessam gerações, através de traumas e síndromes que toda a família violentada pode desenvolver.

A limitação da mulher não é só um problema social e emocional como um setor isolado, e sim econômico e de desenvolvimento, pois quando a mulher é violentada é também impedida de produzir e progredir.

“A luta contra este flagelo exige que abandonemos uma maneira de pensar que é ainda demasiado comum e está demasiado enraizada e adotemos outra atitude. Que demonstremos, de uma vez por todas que, no que toca à violência contra as mulheres, não há razões para ser tolerante nem justificações toleráveis” (Kofi Annan, secretário-geral da ONU, 2006).

Dia Nacional da Consciência Negra e a política de cotas

Por Leandro Hillesheim (Medicina Veterinária/Realeza)

Na sexta feira, dia 20 de Novembro, comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra, data escolhida em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares em 1695. Zumbi foi o líder do Quilombo dos Palmares, povoado formado por escravos refugiados situado na Serra da Barriga (AL), símbolo da resistência à escravidão. Esta data procura lembrar a resistência e o sofrimento dos negros ao longo da história do Brasil e sua busca pela garantia dos seus direitos.

Hoje, a garantia de igualdade é estabelecida pelas leis, mas práticas de discriminação continuam ocorrendo. Dentre estas leis, a mais polêmica é a lei que determina a destinação de cotas para negros nas universidades, pois se acredita que, desde a marginalização no período da escravidão, os negros não conseguiram conquistar os mesmos espaços de trabalho que os brancos.

Esse assunto gera opiniões opostas em toda a sociedade. São vários os argumentos contra e a favor o sistema de cotas. De um lado, os defensores da política de cotas afirmam que a dívida do país com os negros ainda não foi paga e que esta é uma forma de reduzir as desigualdades sociais entre negros e brancos. De outro, estão aqueles que se sentem prejudicados por suas chances de passar no vestibular ficarem menores e por estarem pagando por políticas mal elaboradas no passado.

Mas será que esta separação não é um ato racista? Muitos defendem que sim, pois discriminar a destinação de parte das vagas para pessoas com um determinado fenótipo é uma forma de exclusão. O argumento defendido é de que as cotas não são a solução do problema da desigualdade, ou seja, não se deve separar o que é para os brancos, os negros, etc. Sabe-se que o racismo no Brasil é fato, mas não há nenhuma garantia que substituir responsabilidades econômicas para uma causa social resolverá o problema. Não se pode transferir o descaso da educação pública para um problema racial.

O que precisa ser feito é resolver a questão econômica e, por isso, as divisões especiais no processo seletivo devem ser feitas a partir de questões socioeconômicas, e não levando em conta a questão racial. Contrário a isso, muitos defendem que as cotas para alunos negros nas universidades públicas podem compor um conjunto de medidas práticas, efetivas e imediatas que apontem para o fim das desigualdades raciais na sociedade brasileira.

Divergências à parte, esta data é de grande importância em nosso país, visto que é celebrado o orgulho dos afro-descendentes, a cultura, a resistência destes no período da escravidão e a constante luta contra o preconceito.

1º de dezembro, um dia que precisa ser lembrado sempre

A AIDS é uma doença responsável por infectar milhares de pessoas todos os dias

Símbolo da campanha existe desde 1991.

Por Jéssica Pauletti (Ciências/Realeza)

O dia 1º de dezembro foi consolidado, em outubro de 1987, como o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Essa data foi instituída pela Assembléia Mundial de Saúde, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal fato serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo vírus HIV/aids, bem como para despertar a consciência em relação à necessidade da prevenção. No Brasil, passou-se a comemorar esta data em 1988, por decisão do Ministério da Saúde.

A cada ano, diferentes temas são abordados, destacando aspectos que estejam relacionados com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Já foram discutidas questões sobre a infecção de mulheres e crianças, sobre a convivência da família com o portador da síndrome e também sobre a importância da união de forças, ou seja, do envolvimento de toda a sociedade em prol da luta contra a propagação do vírus.

O símbolo de solidariedade e comprometimento, que representa a campanha de luta contra a AIDS, existe desde 1991 e foi criado por um grupo de profissionais de arte, de Nova Iorque, componentes da organização Visual Aids. A criação deste símbolo procurava homenagear os amigos que haviam morrido ou estavam morrendo em decorência desta doença. O laço vermelho foi escolhido por causa de sua ligação ao sangue e à idéia de paixão, e foi inspirado no laço amarelo que honrava os soldados americanos da Guerra do Golfo.

Mobilização contra aids em Realeza

Por conta da importância da data, o Comunica conversou com a enfermeira Talita Tremea, que nos falou sobre o que irá acontecer em Realeza. A Secretaria de Saúde, em parceria com a Pastoral da Aids, fará uma mobilização na próxima quarta-feira, dia 01 de dezembro de 2010, no centro do munícipio, próximo à rotatória central. Nesse local, será feita a entrega de panfletos, com as orientações necessárias para os cuidados com a Aids, e entrega de camisinhas.

Além disso, segundo a enfermeira Talita, serão disponibilizados à população testes rápidos, para detecção do vírus, no posto de saúde do município. Esses testes são realizados por meio da coleta de sangue, retirado da polpa digital (ponta do dedo), ficam prontos em 15 minutos e apresentam 100% de certeza, conforme afirmou a enfermeira. Os horários para tal procedimento são os seguintes: das 8:30 às 11:30, das 13:30 às 17:00 e, por fim, das 19:00 às 21:00.

Para a enfermeira, essa data deve ser lembrada, pelo fato de "que tem-se dados que a Aids está diminuindo, e é preciso fazer essa mobilização, para que os jovens, principalmente, se conscientizem”.

Como se sabe, a Aids é uma doença muito perigosa e deve-se tomar todo o cuidado com ela. Há atualmente, com certa frequência, várias campanhas de conscientização que são realizadas em todo o país e que visam reduzir ao máximo possível o número de pessoas infectadas. A mobilização que ocorrerá aqui em Realeza é um desses exemplos e deve ganhar apoio da comunidade, para que todos os esforços feitos possam valer a pena.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

As Novas Tecnologias no Ensino de Física discutidas em Projeto de Iniciação Acadêmica

Os acadêmicos Dionemar, Willian e Mateus, que participam do projeto
juntamente com o Professor Clóvis Caetano.

Por Jezebel Batista Lopes (Letras/Realeza)

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Realeza, conta com muitos projetos de iniciação acadêmica que estão sendo desenvolvidos com o grande apoio da comunidade universitária.

É de grande importância que os futuros professores tenham um conhecimento dos recursos que a computação lhes proporciona, pois, além de estar a cada dia mais presente nas escolas, ela pode auxiliar, por exemplo, os professores de física, quanto há falta de laboratórios nas escolas, já que há softwares que proporcionam recursos para a aplicação de experimentos científicos virtualmente.

O projeto de iniciação acadêmica, desenvolvido pelo Professor Dr. Clóvis Caetano com o apoio dos acadêmicos Willian Henrique Cândido Moura e Dionemar Bellendé (bolsistas) e Mateus Wilians Jandrey (voluntário), todos do curso de licenciatura em ciências, visa à discussão da relevante utilização dos recursos computacionais no ensino, com a catalogação de softwares e páginas da internet dedicadas ao ensino de física.

Esta pesquisa tem o propósito de fazer com que os futuros professores tornem as aulas mais dinâmicas e eficientes, com o auxílio dos recursos da computação, pois, os recursos eletrônicos tendem a despertar a curiosidade e a vontade do aluno em observar com atenção o que se está sendo ensinado pelo docente. Além disso, podem fazer com que os alunos desenvolvam, da melhor maneira possível, as atividades propostas, melhorando, assim, seu aprendizado.

O projeto está sendo desenvolvido em três etapas. Primeiramente o grupo fez a leitura e discussão de artigos científicos relacionados ao assunto. Agora, estão catalogando detalhadamente softwares e páginas da internet direcionadas ao ensino de física, para que, ao final do projeto, os discentes tenham um melhor aproveitamento em relação á leitura, compreensão e discussão de textos científicos, além de um primeiro contato com a pesquisa científica.

Como ressalta o professor Caetano, “além dos objetivos específicos do projeto, há também o propósito de familiarizar os alunos com a pesquisa científica, com o intuito de melhorar seu desenvolvimento acadêmico. Os alunos vêm demonstrando maturidade na participação do projeto e parecem bastante motivados com os resultados encontrados”.

O acadêmico Willian, em conversa com o Comunica, destacou alguns aspectos interessantes do projeto. “No projeto catalogamos aproximadamente 35 softwares sobre física. Esses softwares são úteis para alunos universitários como eu, ou alunos de ensino médio. Facilitam a resolução de exercícios de física, além de uma melhor compreensão da matéria abordada. Agora estamos em meio a uma pesquisa de sites sobre física, que tem o objetivo de ajudar na produção de trabalhos tanto acadêmicos quanto colegiais. Os sites são divididos de acordo com o seu nível de ensino, ou seja, se é útil para alunos de ensino fundamental, médio ou superior”.

Ainda em conversa com o Comunica, Willian fala sobre a importância do projeto: “considero esse projeto de grande importância na minha formação como um futuro professor de ciências, um futuro professor de física. Poderei utilizar estes sites ou estes softwares como estratégias para minhas aulas, pois acredito que os alunos aprendem bem mais a matéria quando se utiliza de recursos diferentes na educação. Para mim, esse projeto é uma navegação no mundo da física’’.

Como vimos, o projeto traz ao discente um contato com a pesquisa científica, para que ele consiga aperfeiçoar suas habilidades quanto à pesquisa e ao ensino, e, no futuro, consiga produzir projetos visando ao aprimoramento pessoal e profissional.

UFFS já tem seus representantes no Conselho Universitário

Por Eduardo dos Santos (Letras/Realeza)

Na quinta feira dia 18/11, acadêmicos, servidores técnico-administrativos (STAs) e professores da Universidade Federal da Fronteira Sul foram às urnas para eleger seus respectivos representantes para o conselho universitário (CONSUNI). Este conselho foi criado com a proposta de dividir as decisões da universidade com as pessoas que são diretamente atingidas por estas decisões, já que em um ambiente democrático não é possível que estas permaneçam sob a responsabilidade de uma única pessoa ou grupo de pessoas.

O resultado sequer havia sido divulgado, porém muitas especulações rodeavam as salas de aula e os corredores do campus de Realeza a respeito dos possíveis vencedores. Havia uma grande expectativa, especialmente por parte dos alunos, para saber, de fato, quem seriam os representantes do compus. Mesmo com todo esse entusiasmo, aproximadamente 25% dos acadêmicos esqueceram ou optaram por não votar. Foram candidatas a representantes discentes duas chapas: a chapa número um dos alunos Mateus Wilians Jandrey e Gabriel Francisco Cerutti Bonatto e a chapa número dois dos acadêmicos Oséias André de Lima e Márcio Rogério Plizzari. Com um total de 103 votos contra 87, a chapa vitoriosa foi a de número dois. Após a vitória, os acadêmicos Oséias e Márcio deixaram claro que vão batalhar pelo que prometeram e que vão se esforçar ao máximo para representar bem o campus de Realeza.

Entre os professores, candidataram-se seis chapas, sendo que destas, cinco se elegeram. Em primeiro lugar ficou a chapa número quatro, composta pelos professores Marcos Roberto da Silva (titular) e Sabrina Casagrande (suplente) com vinte votos. Da segunda à quarta colocação houve um empate técnico, em dezessete pontos, entre as chapas cinco (Rozane Aparecida Toso Bleil e Érika Marafon Rodrigues Ciacchi), um (Adolfo Firmino da Silva Neto e Carina Franciscato) e seis (Wagner Tenfen e Rafael Stieler). Na quinta colocação ficou a chapa número dois dos professores Aparecido Francisco Bertochi dos Santos e Emerson Martins, eles conseguiram treze votos, dois a mais que a última colocada, a chapa número três dos docentes Marcos Leandro Ohse e Lucimar Maria Fossati de Carvalho, esta a única chapa que não conseguiu se eleger, dado o fato de que o campus poderia eleger até cinco representantes docentes.

No caso dos servidores técnico-administrativos, apenas uma chapa candidatou-se para exercer sua representatividade frente ao Conselho. Esta chapa foi constituída pelos funcionários Silvani da Silva, como titular, e Josué Mendes, como suplente, que conseguiu se eleger, obtendo vinte votos. Dentre todos os campi da UFFS, o campus de Realeza foi o único que apresentou a candidatura de apenas uma chapa para a representação dos técnicos administrativos.

O que se pode notar, durante estas eleições, é que mesmo com o, relativamente, grande número de acadêmicos que não votaram, compreendeu-se a enorme importância que terá este Conselho dentro desta Universidade. Juntamente com isso, os acadêmicos preocuparam-se em eleger a chapa que apresentou as melhores propostas e que consideraram ter maior representatividade diante dos demais membros do Conselho. O que os alunos do campus de Realeza esperam é que seus votos venham a proporcionar uma grande melhora para este campus.

EJA – Educação para Jovens e Adultos

Educar é mais que reunir aluno em sala de aula, é acreditar na capacidade do ser humano.



Por Marina Maria Rodrigues e Patrícia dos Santos (Letras/Realeza)

A história da alfabetização para adultos foi iniciada quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, pelos padres jesuítas. Ao longo do tempo o Brasil foi se desenvolvendo politicamente, economicamente e tecnologicamente, e com isso foi sendo exigida maior qualificação educacional.

Vieram com o desenvolvimento uma série de benefícios e de problemas, inclusive problemas educacionais que atingem grande parte da população brasileira, um exemplo foi, e é, a falta de profissionais qualificados não só no sentido da alfabetização, mas com uma noção mais ampla de mundo. Surgiram então uma série de medidas pedagógicas que são adotadas para tentar solucionar esse problema, como por exemplo a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), A Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA), o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), o Ensino Supletivo etc.

Uma questão que deve ser ressaltada é que a qualidade do ensino depende muito da relação aluno-professor, e o educador deve ter uma capacitação diferenciada, com curso para alfabetização para jovens e adultos, além de ser autocrítico em seu papel perante a sociedade.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino da rede pública no Brasil e tem como objetivo desenvolver o Ensino Fundamental e Médio, além de levar o ensino às pessoas que por algum motivo não tiveram a oportunidade de estudar. O papel do professor que atua no EJA é essencial dentro de sala de aula, pois deve compreender o aluno na sua realidade. São pessoas que aprenderam a viver em uma sociedade desenvolvida sem saber ler e escrever ou não puderam concluir seus estudos.

O EJA em Realeza

O Colégio João Paulo II é a única instituição do Município de Realeza que oferece o Ensino de Jovens e Adultos. O Comunica foi conhecer essa realidade a fim de compreender a rotina tanto dos professores, quanto dos estudantes.

A instituição dispõe de duas modalidades nesse ensino, a individual e a coletiva. Na modalidade individual, o aluno escolhe quantas matérias quer cursar e a frequência se dá conforme sua disponibilidade, ou seja, é o próprio aluno que define quanto tempo demorará para concluir seus estudos. Já na modalidade coletiva, acontecem aulas todos os dias, em turmas fechadas, e o aluno reprova por falta.

A professora Dirlene de Oliveira trabalha na modalidade individual com alunos do Ensino Fundamental e Médio. Conversou com o Comunica sobre como é a experiência de trabalhar com um número reduzido de alunos, os quais apresentam particularidades que exigem que o professor utilize mais que uma metodologia durante a aula.

Segundo Dirlene, a maioria dos alunos que frequentam o EJA trabalham durante todo o dia e por isso os trabalhos extraclasse são evitados. As avaliações também são diferenciadas, pois não são aplicadas provas: “Avalio meus alunos diariamente em cada atividade realizada”.

O Comunica conversou também com a professora de Geografia Maria Vanete Siqueira, que trabalha com o EJA há treze anos, a qual afirmou que “é mais gratificante trabalhar com o Ensino de Jovens e Adultos do que com o Ensino Regular, pois o aluno está em sala por seu interesse e mesmo respondendo dentro de seus próprios limites, suas histórias de vida ensinam muito”.

A diretora do Colégio João Paulo II, Jovana Bocchi Dengo, sintetizou a missão do EJA no ensino hoje: “É ter um outro olhar. Você tem que ter consciência que está ensinando a alunos trabalhadores e de idade entre 50 e 70 anos, ter paciência, retomar conteúdos. É um trabalho de valorização do ser humano”.

A alfabetização no EJA

A Prefeitura Municipal de Realeza utiliza o prédio do Colégio João Paulo II para oferecer a alfabetização de jovens e adultos.

Atualmente o EJA conta com uma turma de 15 alunos que é coordenada pela professora Rosane Vasileske dos Santos. A professora afirmou que o interesse dos alunos vem pela necessidade de aprender: “Há duas maneiras de se aprender, pelo prazer e pela necessidade. Esses alunos estão aqui pela necessidade e percebo o prazer que eles têm em aprender”.

A vontade de aprender vai além dos empecilhos que os alunos da alfabetização do EJA enfrentam diariamente. Um exemplo de superação é a aluna Pedrolina de Fátima, 60, que contou ao Comunica que precisa tomar conta de seu neto Gabriel, de 10 anos, e que nem sempre há alguém disponível para atendê-lo quando ela está em aula. Por isso, Gabriel acompanha a avó até o colégio e a espera no saguão até que a aula termine.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

E agora, Dilma é a nova President(e) ou President(a) do Brasil?

Por Camila Marcon (Letras/Chapecó)

Essa é a dúvida que surge após ter sido eleita, pela primeira vez, uma mulher no cargo mais alto do governo. Enquanto a posse não é assumida, gramáticos, linguistas e a população em geral defendem e expõem opiniões contrárias de qual seria o melhor uso.

A gramática normativa prevê que palavras que terminam em “nte” não sofrem variação, pois a identificação do gênero é o artigo que o precede, como por exemplo, o gerente, a gerente. Essa é uma regra que segue atualmente no português, italiano e espanhol já que o sufixo é originário do latim. Porém, linguisticamente as duas formas estão corretas, como explica Sérgio Nogueira: “A forma PRESIDENTA segue a tendência natural de criarmos a forma feminina com o uso da desinência “a”: menino e menina, árbitro e árbitra, brasileiro e brasileira...”.

Enquanto isso, defensores da forma “agenérica” presidente, apresentam o argumento que a forma feminina tem carga pejorativa, como nos casos de “a chefa” e “a parenta”, que são possíveis na língua, mas na maioria das vezes são usadas em contextos não formais.

Todavia, é importante ressaltar que os três maiores dicionários da língua portuguesa, o Houaiss, o Aurélio e o Aulete, já registram ‘presidenta’ como equivalente de ‘a presidente’, ‘mulher que preside’. Sendo assim, o problema então passa a ser exclusivamente uma questão de preferência ou de padronização como avalia o professor Paulo Flávio Ledur: “A mulher está assumindo posições novas na sociedade. Embora se aceite a forma feminina em professora, doutora, juíza, e em outras não, eu defendo uma forma única. É claro que num primeiro momento, nós estranhamos porque é novo, mas é uma questão de hábito. A língua se faz pelo uso. Na medida em que o uso se consagra, a estranheza desaparece.”

Esse é um fato em comum aos nossos vizinhos argentinos, pois ao assumir a presidência Cristina Kirchner fez questão de ser dirigida como ‘la presidenta’,ou seja, como na língua espanhola a língua portuguesa permite a possibilidade de uso dos dois termos, agora o mais importante é esperar que Dilma defina qual forma ela preferirá ser tratada quando assumir a presidência do país.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vigilância Sanitária orienta prevenção da hepatite

Salões de beleza devem adequar-se às normas

Por Leandro Hillesheim (Medicina Veterinária/Realeza)

Nesta semana, o Comunica apresenta uma matéria de informação e esclarecimento para a população em geral, principalmente para quem reside em Realeza. O assunto abordado é decorrente dos comentários e notícias que circulam na cidade sobre a hepatite viral. Para melhor esclarecer a situação, entramos em contato com a Secretaria da Saúde e com a Vigilância Sanitária, que contribuíram com esclarecimentos.

Em entrevista concedida, a enfermeira Talita Tremer – responsável pelo setor de Epidemiologia da Secretaria de Saúde – explica que os casos detectados de pessoas infectadas com o vírus vêm crescendo desde fevereiro. “Neste ano, já ocorreram dois óbitos em decorrência das hepatites A e B juntas. No ano passado, tivemos um surto de hepatite A” Ela afirmou que a hepatite A é mais freqüente e menos grave, porém, pode ser fatal para 1% da população. O foco principal de prevenção é vírus da hepatite B.

A Secretaria da Saúde está orientando permanentemente as famílias que possuem membros portadores do vírus e, nessas famílias, é feito o exame para diagnosticar se todos estão imunes ou se a doença está se replicando. De qualquer forma, os familiares são vacinados, assim como os profissionais da saúde, gestantes e recém nascidos.

Quem falou a respeito da mobilização para a prevenção nos salões de beleza foi a bióloga da Vigilância Sanitária, Camila Eduarda Viana. Ela informou que a campanha é resultado de uma parceria entre Promotoria Pública, Vigilância Sanitária do município de Santa Isabel do Oeste e Vigilância Sanitária do município de Realeza. Num primeiro momento, a ação feita foi a convocação de todos os profissionais que trabalham na área de beleza e estética para que participassem de uma reunião com palestra, explicando como o vírus é transmitido.

A palestra, realizada no dia 26 de Outubro, contou com esclarecimentos de um farmacêutico bioquímico e de uma enfermeira de epidemiologia. Eles instruíram os profissionais para o cuidado com instrumentos pérfuro-cortantes, tais como: alicates, tiradores de cutícula e lâminas de barbear. Isso se justifica porque esses instrumentos são potenciais transmissores de doenças, como a hepatite e HIV.

No encontro, também foi esclarecida a legislação, a qual obriga os proprietários de salão de beleza a possuírem um esterilizador, ou, caso não o possuam, pedir que cada cliente leve materiais individuais. Também foi informado aos proprietários e profissionais não regulamentados que será feita uma vistoria em todos os estabelecimentos para conferir se estes estão adequados às normas. A Vigilância pretende iniciar as vistorias nas próximas semanas, com visitação de mais de 60 salões de estética e barbearias.

Questionada sobre a possível não aceitação dos proprietários de estabelecimentos e profissionais da área, Camila afirma: “A princípio, imaginamos maior, pois eles teriam que desembolsar dinheiro para fazer as melhorias. Mas eles aderiram à situação e falaram que, por não terem condições de comprar o esterilizador, eles exigiriam que cada cliente tivesse o kit.”

Camila ressalta que o município de Realeza não está com surto nem epidemia de hepatite, como há alguns comentários. Ela diz que, no ano passado, houve um surto de hepatite A, mas, nesse ano, os casos diminuíram. Quanto aos tipos B e C, apenas dois casos levaram à morte.

A hepatite é uma doença que pode ser perigosa dependendo do tipo e da gravidade. Por isso, medidas de prevenção devem ser tomadas: vacinar (no caso das hepatites por vírus A e B); usar água tratada ou fervida; lavar bem legumes, frutas e verduras; lavar bem as mãos após usar o toalete, antes de preparar os alimentos e de se alimentar; não compartilhar seringas e agulhas; usar preservativo nas relações sexuais; utilizar material de proteção, no caso de profissionais de saúde; realizar acompanhamento pré-natal para aconselhamento adequado e prevenção da transmissão; e evitar o uso abusivo de álcool, medicamentos e drogas.

Adolescência: época de amadurecimento do leitor


A biblioteca do Colégio 12 de novembro não é apenas um espaço para
leitura, mas para o desenvolvimento do aluno.

Por Marina Maria Rodrigues e Patrícia dos Santos (Letras/Realeza)

O Município de Realeza conta com apenas uma escola de Ensino Médio, o Colégio 12 de Novembro. Além de Educação Geral, o colégio oferece também ensino profissionalizante nas áreas de Formação Docente, Técnico Administrativo e Técnico em Informática. O colégio tem 75 alunos entre os turnos da manhã, tarde e noite.

O Projeto Comunica foi até a instituição para saber como a prática da leitura é aplicada aos alunos do Ensino Regular. O diretor Moacir Mardei Furtado comentou sobre a forma como isso vem sendo trabalhado com os alunos. Segundo o diretor, é mais fácil trabalhar a leitura com adolescentes que frequentam as séries finais do Ensino Básico, pois há um amadurecimento e maior interesse. Afirmou que apesar de não haver nenhum projeto de leitura no colégio, os professores trabalham a leitura em sala de aula. O diretor aproveitou o ensejo para dizer que a instituição se interessa em melhorar essa realidade com um futuro projeto de leitura.

A professora Valéria Barbiero vem trabalhando a leitura no Ensino Geral e também no Técnico Administrativo. Ela comentou sobre as dificuldades dos alunos que não tem o hábito de ler. Afirmou que ela mesma direciona a leitura das turmas. Seleciona os livros e leva para a sala de aula, pois há alunos que acabam levando sempre as mesmas obras pra casa. Segundo a professora, trabalhar a literatura brasileira em sala de aula é essencial, por isso é importante guiar o aluno na hora da escolha.

A biblioteca do Colégio 12 de Novembro é rica em obras não só da literatura nacional mas também internacional, inclusive clássicos e best sellers da atualidade. A variedade de opções incentiva o aluno a descobrir vários caminhos na leitura. Além do acervo literário, a biblioteca conta com um acervo de livros para pesquisa que é utilizado não só pelos alunos, mas pela comunidade realezense. O sistema de controle de empréstimos é informatizado, o que agiliza o processo tanto na retirada quanto na devolução dos livros.

A aluna Raquel Prott, 17, que acaba de ser aprovada no vestibular de Direito na UNIVEL em Cascavel, falou ao Comunica sobre sua paixão pelos livros: “Leio bastante, desde gibis até livros científicos. Meu maior incentivo desde muito cedo foi minha família, venho de uma família de leitores”.

Livros recolhidos

Uma questão importante explanada pelo diretor Moacir foi o recolhimento de algumas obras literárias da biblioteca do colégio: “Tivemos um caso em que a aluna levou o livro para casa e, durante a leitura, verificou que continha palavras de baixo calão, o que resultou na vinda da própria mãe ao colégio para verificar juntamente à direção o que poderia ser feito”. Os livros foram enviados pelo MEC no início do ano, porém, a direção acabou os recolhendo pois julgou que estes contém expressões inapropriadas para a idade dos leitores a que se destinam.

Dentre as muitas obras recolhidas estão “O cobrador” de Rubem Fonseca e “A mulher que escreveu a bíblia” de Moacyr Scliar. Um fato interessante é que ambos são livros cobrados em vestibulares: o primeiro pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) neste ano e o segundo pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em 2008.

Este não é o primeiro caso em que livros são retirados das prateleiras por instituições que entendem que estes são inapropriados para o ensino. No Estado de São Paulo em 2009, a Secretaria da Educação determinou o recolhimento de 1.216 exemplares de um livro destinado à Educação Infantil, “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol”, composto por onze histórias em quadrinhos sobre futebol. Segundo a VEJA em publicação on-line de 19/05/09, o livro “continha frases de conteúdo sexual e de duplo sentido”, não apropriados para a faixa etária a qual foi indicado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Projeto Comunica faz parceria com Jornal Local

Pela Equipe Comunica – Laranjeiras do Sul

Em Laranjeiras do Sul, o projeto Comunica: Laboratório de produção textual, que objetiva oferecer a estudantes de graduação da UFFS a oportunidade de desenvolverem as suas habilidades e competências de produção textual, com postagens semanais em um blog institucional, ganhou mais um parceiro: o Jornal Correio do Povo do Paraná.

A iniciativa é da professora Marcela Langa, orientadora do projeto no campus, que além de orientar 3 alunos diretamente envolvidos no projeto, envolveu uma turma inteira de graduação, a de Licenciatura em Educação no Campo, período noturno, na produção de textos. A proposta foi de que todos os alunos da turma produzissem textos com temas socialmente relevantes para a comunidade de Laranjeiras do Sul, algo um pouco diferente dos textos do Comunica que priorizam informações relevantes à comunidade acadêmica da UFFS.

Utilizando mesma metodologia do Comunica para as produções com a turma, a professora apresentou a proposta aos alunos e, em seguida, entrou em contato com o jornal local Correio do Povo do Paraná, com a solicitação de que os textos da turma fossem publicados. Segundo a professora, essa iniciativa é importante para que os alunos vejam a leitura e a escrita como atividades essencialmente humanas, necessárias a diversas finalidades de nosso cotodiana, e não apenas como “atividades escolares”. Outro motivo que a professora destacou para desenvolver a parceria com o jornal foi a necessidade de os estudantes se envolverem com sua comunidade, participando efetivamente de questões pertinentes a ela.

O jornal não só aceitou a proposta de publicar os textos dos alunos, como também destacou que a iniciativa pode funcionar como incentivo para que toda população laranjeirense se encoraje e escreva também para o Jornal, numa ação mais participativa.

Como uma das ações para que os alunos produzissem textos de relevância social e com qualidade textual, a professora convidou as jornalistas Marilete Eleutério e Joice Fabrício, essa última também diretora do jornal, para um “bate-papo” com a turma sobre procedimentos para a produção. As jornalistas sistematizaram todas as ações relevantes para a produção não só de textos jornalísticos, mas também para toda a confecção do jornal, demonstrando aos alunos de onde surgem os temas, como buscar a veracidade das informações, a importância da organização do texto, etc.

Os alunos, entusiasmados com a tarefa e orgulhosos por terem um espaço no jornal destinado a eles, garimparam a cidade em busca dos mais diversos temas, noticiando desde a implantação da própria Universidade na cidade, tirando dúvidas sobre um polêmico curso no campus, intitulado “Licenciatura em Educação no campo”, abordando questões de saúde, como “O benefício da fisioterapia no tratamento da má postura”, até informações sobre Show gratuito com a dupla Guilherme e Santiago, no município, em comemoração dos 64 anos de emancipação de Laranjeiras do Sul. Para a produção, alguns alunos entrevistaram autoridades, médicos, comerciante e professores da cidade, provando que práticas da universidade não estão longe das práticas da sociedade.

Os textos da turma serão, além de publicados pelo jornal, postados no blog do Projeto Comunica, para que a Comunidade Acadêmica também da UFFS também leia as produções.

Abaixo, confira alguns textos produzidos pela turma:

Show gratuito com a dupla Guilherme e Santiago em Laranjeiras do Sul

Por Fernando Hornick (graduando em Licenciatura em Educação do Campo - UFFS)

Nesta quinta-feira, o prefeito Berto Silva anunciou um mega show musical, evento em comemoração dos 64 anos de emancipação de Laranjeiras do Sul.

Uma das duplas mais badaladas do momento vai se apresentar no estadio Primeiro de Maio, dia 28/11, com entrada franca. A dupla de renome no gênero sertanejo tem como um de seus sucessos a canção “E Daí?”, música sertaneja mais tocada nas rádios de todo o Brasil este ano, segundo os números apresentados pela Crowley Broadcasting, empresa que monitora as execuções de emissoras de rádio em diversas regiões do território do Brasil. Outra música do atual trabalho da dupla, um dos temas da série "Malhação", “Tá Se Achando”, também foi a sertaneja mais tocada em setembro. Portanto Laranjeiras está com tudo!

Além do show, programa imperdível nos 64 anos de Laranjeiras do Sul, a comemoração prevê festival e desfile cívico.

Dupla sertaneja Guilherme e Santiago

Graduação privilegia interesses locais e valorização dos povos do campo
 
Por Juli Ani Freitas e Cleusani Glowacki (Graduandas em Licenciatura em Educação do Campo - UFFS)

Educação do Campo é uma política reivindicada pelos movimentos sociais que reuniram-se para que as políticas educacionais não fossem apenas voltadas para as grandes cidades, mas também que atendessem às necessidades dos povos do campo.

Assim, na educação do campo a linha de trabalho tem como modelo a agricultura familiar e sustentável, os pequenos agricultores, a agroecologia, os problemas ambientais e a reforma agrária.

De acordo com o coordenador de Educação do Campo do Núcleo Regional de Educação de Laranjeiras do Sul (NRE), Rodrigo Pereira, o que caracteriza uma escola do campo é, além de sua localização, o local onde residem os alunos: “A escola pode estar localizada na cidade, mas atender alunos residentes no campo, e por esta razão ser considerada uma escola do campo”, enfatiza Pereira, ressaltando que a metodologia de ensino de uma escola situada na cidade e outra no campo pode ser a mesma. Porém, o coordenador ressalva que na Educação do Campo o educador deve proporcionar ao estudante, através dos conteúdos pedagógicos, a percepção das diferenças entre campo e cidade, exemplificando o conhecimento científico com a realidade e despertando criticidade quanto ao meio social em que vive.

A Universidade Federal da Fronteira Sul, no campus Laranjeiras do Sul, oferta o curso de Licenciatura em Educação do Campo, tendo 55 alunos. Trata-se de um curso novo, que forma por áreas de conhecimento, ou seja, o estudante deste curso sai Licenciado nas seguintes áreas: Ciências Agrárias, Ciências Naturais e Matemática.

Um dos objetivos fundamentais do curso é de formar professores para as escolas do campo, valorizando o espaço rural como produtor de vida, cultura, riqueza e conhecimentos, desenvolvendo formas de educação e ensino adequadas à realidade rural.

A formação por áreas do conhecimento pretende aproximar a escola e o conhecimento da realidade, possibilitando a leitura crítica e interdisciplinar do mundo, além de ser uma tentativa de superar a fragmentação do saber e sua extremada abstração. Segundo o coordenador deste curso da UFFS, aqui em Laranjeiras do Sul, Joaquim Gonçalves da Costa, “o curso busca articular os conhecimentos que estão fragmentados por área. Com isso, o licenciado em Educação do Campo, por conhecer diferentes áreas, poderá articular/interagir de melhor forma com os saberes construídos no processo educativo”.

No Núcleo Regional de Educação de Laranjeiras do Sul, que abrange 10 municípios, das 63 escolas, 28 estão localizadas no campo. E, no entanto, a escassez de professores para atender a essa demanda configura-se como um dos principais problemas da região, o que torna esse curso atrativo aos estudantes, garantindo emprego aos atuais universitários.

Vale enfatizar que o curso não é específico para atuação em escolas do campo, sendo possível ao profissional atuar em todas as escolas, tendo em vista que a grade curricular e a metodologia do curso são semelhantes as dos demais. Podemos resumir a questão com o esclarecimento de que a novidade deste curso é o aperfeiçoamento nos estudos sobre a valorização dos povos do campo, um algo a mais na formação desses profissionais.

Confira, abaixo, a primeira turma de Licenciatura em Educação no Campo, do período noturno, neste primeiro ano da UFFS.


Turma de Lic. em Ed. do Campo – noturno

Resultado da vontade popular: UFFS
 
Por Neri Lirio (Graduando em Licenciatura em Educação do Campo)

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) foi implantada nesta cidade, que integra a microrregião chamada Cantuquiriguaçu, tendo como principal justificativa o baixo índice de desenvolvimento humano da região, argumento que parece ter sensibilizado toda uma equipe de estudos para a viabilização do projeto. Mas devemos ter em mente que este é apenas um dos motivos relevantes, mas não o único.

Ressaltamos a participação de diversas pessoas e entidades de classe que se envolveram direta ou indiretamente na luta pela conquista desta importante Instituição de Ensino Superior. Queremos mencionar o persistente trabalho de diversas lideranças comunitárias, professores, empresários, políticos, autoridades civis e religiosas, cujo trabalho pode até não ter sido visto ou lembrado publicamente, mas que deixa, porém, o sentimento de dever cumprido. Por isso, um fato que não podemos esquecer nesta vitória foi a participação popular: muitos nomes jamais serão conhecidos, mas optaram por comparecer a reuniões, palestras, manifestações públicas, e porque, então, não dar créditos à torcida e à fé do povo desta terra?

Pode ser que ainda não se tenha percebido o real valor de uma Universidade Federal em nossa cidade, mas é certo que desde o mais jovem até o mais idoso habitante desta região usufruirá os benefícios desta conquista, pois ainda que tenha sido obtida por conta do baixo índice de desenvolvimento humano, inferior à grande parte do país, também se deve à luta de inúmeras pessoas desta sociedade, que pra sempre merecerão os créditos desta vitória.

 

Acadêmicos e Solidariedade caminham juntos

A Universidade Federal da Fronteira Sul forma cidadãos conscientes

Por Jezebel Batista Lopes (Letras/Realeza)

No decorrer do dia-a-dia dos acadêmicos pelos corredores da Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS, Campus Realeza, os futuros profissionais se formam. Mas acima de tudo se formam os cidadãos conscientes da importância em ajudar o próximo.

O campus de Realeza conta com uma nova moradora, uma cachorrinha que apareceu, e os acadêmicos a adotaram com o nome de Bisnaga. Encantaram-se com a cachorrinha, sendo muito cuidada pelos vários donos que conquistou.

Com a força e união dos acadêmicos, a nova companheira ganhou uma casinha e o carinho dos profissionais da cantina que auxiliam com os cuidados para proporcionar a cachorrinha um dia-a-dia melhor.

Com a aproximação das férias, os novos donos da Bisnaga se preocupam com o campus vazio, mas com a colaboração dos guardas que cuidam da Universidade a Bisnaga não vai estar sozinha.

A acadêmica Daniela Farias, do curso de Letras, opinou para o Comunica, “eu acho uma atitude muito solidária da parte dos acadêmicos, demonstra a preocupação do ser humano com os animais, mesmo vivendo tão próximos de uma realidade que às vezes nos mostra o contrário, onde há tantas pessoas que abandonam e maltratam os animais, e já os alunos da UFFS fizeram algo diferente, acolheram a cachorrinha, alimentaram, uniram-se e compraram uma casinha, ela já é nossa mascote, essas ações são muito gratificantes para nós estudantes.”

                                                                                          Christiano Castellano/UFFS
Acadêmicos Mayza, Marina, Patrícia e Mateus na entrega da casa para Bisnaga.

Acadêmicos defendem integração entre os cursos

“Esses boatos de que o conselheiro só deve defender o seu curso são absurdos”, criticou uma acadêmica do Campus de Realeza


Por Lucas Carniel (Letras/Realeza)

Todos os campi da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) estão em fase de preparação para as eleições do Consuni (Conselho Universitário). O Conselho será o maior órgão deliberativo da instituição. Os conselheiros se reunirão periodicamente para tratar de assuntos acadêmicos e estruturais dos cinco campi da universidade. Os membros do Consuni serão escolhidos por meio de eleições, que acontecem no dia 18 de novembro, e, depois de empossados, são eles que terão de auxiliar no processo de desenvolvimento da instituição.

O Consuni será formado por professores, técnicos administrativos e acadêmicos da UFFS. Nos três setores a movimentação para a formação das chapas foi intensa durante os últimos 15 dias (o prazo para a inscrição dos candidatos terminou na quinta-feira, dia 28) e, a partir das próximas semanas, todos se concentrarão na corrida eleitoral.

Os acadêmicos do Campus de Realeza estão participando ativamente do processo das eleições. Sem citar nomes e sem tecer elogios para nenhuma das chapas, os alunos entrevistados pelo Comunica ressaltaram que o conselheiro e suplente escolhidos pelos estudantes devem pensar nos interesses e nas necesidades da UFFS, defendendo melhorias para as quatro graduações do campus de Realeza.

O acadêmico do curso de Letras, Marcio Rogério Plizzari, lembrou que, enquanto o Consuni não é formado, todas as decisões da UFFS dependem do reitor, Dilvo Ristoff. “O poder não deve ficar centralizado em apenas uma pessoa. Acredito que todo o pessoal deve exercer seu poder de decisão, expondo suas ideias sobre o que a universidade precisa e, o que é mais importante, sem defender este ou aquele curso, mas todos eles”, argumentou Marcio. Ele lembrou que uma das bandeiras que devem ser levantadas pelos conselheiros é a instalação de laboratórios e melhorias no acervo bibliográfico do Campus.

Outra característica que não pode faltar aos futuros conselheiros, de acordo com a acadêmica do curso de Nutrição, Vanessa Aparecida Moschen, é a responsabilidade. “O Consuni é de extrema importância para o desenvolvimento da Universidade, pois, assim, haverá mais integração entre o corpo discente e docente. Mas penso que na hora de votar, a gente tem que pensar bem em quem são os candidatos, porque tem que votar em quem tem responsabilidade, que leve o Consuni a sério”, opinou.

Acima de tudo, a acadêmica do curso de Ciências, Jéssica de Souza, defende que os membros do Consuni não levem interesses individuais para as reuniões. “Esses boatos de que o conselheiro só deve defender o seu curso são absurdos. Penso que o maior objetivo desse conselho é trazer benefícios para todos os campi. A pessoa escolhida terá que pensar muito bem na responsabilidade que esse cargo representa e, na hora dos encontros, lá em Chapecó, terá que esquecer dos interesses do seu curso e colocar as principais necessidades do nosso Campus”, apontou a acadêmica.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Projeto de Iniciação Acadêmica: a história oral traz a comunidade para dentro da UFFS

Por Fabio José Andres Schneider  (Agronomia/Cerro Largo)

As alunas Kátia Fernanda Gauer do Curso de Letras Português e Espanhol e Sandra Maria Thiele do curso de Agronomia, juntamente com o professor Marcelo Krug estão trabalhando no projeto entitulado “Coleta de etnotextos junto com a comunidade macromissioneira”, cujo objetivo é coletar textos orais que retomem a história e os costumes das comunidade de cada bolsista. Visa-se formar uma coletânia de textos que serão transcritos, publicados e devolvidos a comunidade em forma de livro. Vale destacar que as bolsistas escolhidas para participarem do projeto são bilíngues fluentes (português-alemão), uma necessiade para o projeto, uma vez que as comunidades de pesquisa são compostas por falantes de português e alemão. Ainda destacamos que o projeto está inserido dentro de um projeto maior, que é o ALMA – Atlas lingüístico-contatual das minorias alemãs na Bacia do Prata.

Depoimentos dos integrantes do projeto.

“As alunas demonstram-se muito interessadas. Elas estão realizando as tarefas com muito entusiasmo e não escondem a ansiedade para a realização da primeira entrevista. Mas antes desta, é necessário que façam determinadas leituras teóricas de fundamental importância para o entendimento do projeto, assim como a aprendizagem de técnicas para conseguir dados históricos em Hunsrückisch (dialeto alemão) falado na região e técnicas para transcrever tal alemão,.” Professor Marcelo.

“É muito bom fazer parte do projeto do professor Marcelo, pois ele busca resgatar a história da região onde vivo a partir do estudo da minha língua materna (Hunsrückisch) por meio de etnotextos. O aprendizado adquirido por meio de leituras foi muito grande e despertou ainda mais o gosto pelo conhecimento da cultura e história regional. No momento estou ansiosa para iniciarmos a pesquisa de campo, onde poderemos confrontar o que apreendemos a partir da teoria com a realidade desse povo tão rico em suas experiências.” Katia.

“Mesmo para mim que sou estudante de Agronomia, vejo o projeto muito interessante, pois vai ser um modo de conhecer melhor a história dos imigrantes alemães na nossa região e a partir dela, analisar e descrever como se deu o desenvolvimento agrário regional.” Sandra.
 
Fonte: Fabio Schneider

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mascote, mas não por muito tempo

 Por Gabriel Scheffer  (Letras/Chapecó)

A cachorra Sheidy ou Pretinha é, para alguns, um exemplo de superação, companheirismo e lealdade. Ela adotou a UFFS como moradia depois de ser abandonada. Sheidy chegou ao campus aproximadamente dois meses atrás, e logo se tornou a sensação dos funcionários e a “xodó’ dos estudantes.

Os vigilantes da Universidade a acolheram com muito carinho, pois a cachorra chegou debilitada e doente. Comovidos, entraram em um consenso e resolveram ajudá-la em sua recuperação. Levaram-na para um Pet Shop, para um tratamento de saúde e beleza. Finalmente, alguns funcionários se mobilizaram em comprar medicamentos, remédios e acessórios para ela.

O animal, contudo, teve que ser retirado do campus. Uma vigilante se comprometeu a cuidar da cachorra e levá-la para sua casa, já que a gravidez de Sheidy demanda cuidados. Alguns estudantes que opinaram sobre o caso não concordam com a decisão de retirar o cão do campus. De um modo geral, eles alegam que a presença do animal torna o ambiente da Universidade mais agradável.

Para entender a polêmica, fomos ouvir Fábio Bulegon, atual prefeito do campus de Chapecó da UFFS. Segundo ele, o animal foi retirado da universidade porque a cachorra necessitava de cuidados especiais como alimentação e medicamentos, sobretudo em função da gravidez. “Aqui na universidade não havia mais condições de cuidar da cachorra, devido à falta de espaço e às despesas com alimentação adequada e remédios”, explica.

Nos dias atuais, muito se fala em relação de amizade entre as pessoas, compaixão ao próximo, coragem e luta. Mas, se existissem pessoas com pensamento de cachorro, com certeza teríamos mais harmonia entre os seres humanos. E na Universidade não é diferente. Já se tornou comum em todo o Brasil cachorros convivendo em campi universitários. Hoje, Sheidy pariu quatro filhotes e passa bem. No campus, já existem mobilizações e abaixo-assinados pela sua volta.

Projetos Acadêmicos no campus Chapecó

 Por Atelli da Rocha (Letras/Chapecó)

Em texto publicado dia 11/11, o Comunica conta como funciona a política de Assistência Estudantil na UFFS, na qual o programa de bolsas se insere. Esse programa tem viabilizado a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica no ensino superior, por meio da concessão de bolsa Permanência. Já o programa de bolsa Iniciação Acadêmica tem oferecido aos estudantes a oportunidade de aumentarem seus conhecimentos através da participação em grupos de estudos. Aqui em Chapecó, contamos com 47 projetos em execução no momento e que tem auxiliado os estudantes na melhoria de suas competências.

Um desses projetos é o “ler e resumir”, coordenado pela dra. Morgana Cambrussi, do Colegiado de Letras. Esse projeto tem por objetivo desenvolver nos alunos participantes as habilidades de leitura, compreensão e síntese de textos , para que, em um segundo momento, elaborem materiais didáticos e ofereçam oficinas sobre “resumo” a acadêmicos com dificuldades aqui na UFFS.

Morgana disse que a ideia de criar esse projeto, surgiu ainda no primeiro semestre deste ano, enquanto ministrava a disciplina de Leitura e Produção Textual: “foi quando percebi que os alunos tinham essa dificuldade em ler e compreender textos. Então, surgiu a ideia de desenvolver um projeto que auxiliasse os mesmos no desenvolvimento dessas habilidades”. Ela explica que passou nas salas divulgando o projeto e que três alunas se mostraram interessadas em participar.

A professora afirma estar satisfeita com o andamento de seu projeto, lembra que no próximo semestre serão oferecidas outras cinco vagas para os interessados, e atribui os resultados positivos obtidos até aqui, ao empenho e dedicação de suas alunas: “o projeto realmente me surpreendeu, as meninas foram além das minhas expectativas, estou muito feliz”

Uma dessas alunas é Anisia Ripplinger, do curso de Pedagogia noturno. Ela conta que entrou no projeto porque tinha dificuldades em resumir textos, mas reconhece que, se o projeto não oferecesse bolsa, não teria condições de largar o emprego e se dedicar inteiramente aos estudos. Ela diz que a bolsa é um incentivo importante para que o aluno permaneça no curso e um benefício essencial que deveria se estender a todos os acadêmicos da instituição.

Para Bruna Roniza Mussio, nutricionista integrante da diretoria dos assuntos estudantis, quando o estudante se interessa e participa de um projeto, não está ganhando apenas um auxílio financeiro, está ganhando “conhecimento, experiência, vivência enquanto universitário, ambientação, maior articulação com professores e alunos de outros cursos” e, sobretudo, “está ajudando a construir uma universidade cada vez melhor, tanto na qualidade do ensino, quanto no cumprimento de seu papel na sociedade”.

1ª Jornada Pedagógica: olhares sobre a docência

Professores expõem problemas e propõem soluções

Por Atelli da Rocha (Letras/Chapecó)

Durante os dias 25 e 26 de novembro, foi realizada, no auditório do colégio Bom Pastor, a Primeira Jornada Pedagógica da Universidade Federal da Fronteira Sul, que teve por objetivo promover a integração entre estudantes dos cursos de Licenciatura e professores em exercício e discutir os novos rumos da educação no país.

No primeiro dia do evento, as professoras Zenilde Durli e Letícia Ribeiro Lyra apresentaram seus projetos de pesquisa e refletiram sobre políticas educacionais e metodologias de ensino nas escolas brasileiras. Tanto Zenilde quanto Letícia, fizeram fortes críticas à estrutura em torno da qual uma escola se fundamenta. Zenilde criticou o modo como a escola ensina seus alunos e como elabora o currículo escolar e Letícia fez critica ao modo como a escola socialmente se organiza e como reproduz as queixas escolares.

Na terça-feira pela manhã, foi a vez do professor Attico Chassot, em sua palestra “Perspectivas da Docência na Atualidade”, deixar claro o seu posicionamento quanto à forma tradicional de ensino. Para Chassot, a principal tarefa do educador hoje é ensinar o aluno a ler e a interpretar a linguagem da ciência, a que está escrita no mundo natural, e tentar torná-lo um 'especialista' em generalidades. Destaca também que o papel da escola não é repassar uma enorme quantidade de conteúdos, muitos dos quais sem utilidade na vida cotidiana, e nem transformá-lo em mero repetidor das coisas que aprendeu.

Chassot disse, ainda, que um professor deve transgredir as fronteiras da disciplinaridade e atingir os limites da 'indisciplina' para, assim, instigar no aluno o desejo pelo conhecimento e a paixão pelas novas descobertas.

Na noite de encerramento do evento, ainda seis professores expuseram suas pesquisas, dentre eles, o vice-reitor da UFFS, Dr. Jaime Giollo, a professora Ma. Franciele Bete Petry, o professor Me. José Oto Konzen, a professora Dra. Maria Helena Baptista Vilares Cordeiro e o professor Me. Antonio Alberto Brunetta.

Destaca-se nesta noite o trabalho da professora Adriana Sallete Lon, que discutiu estratégias pedagógicas a serem adotadas pelo professor no contexto ensino-aprendizagem. Sua pesquisa apresenta propostas concretas e coerentes para a resolução dos problemas em sala de aula. Para Adriana, o segredo não está em como falar com o aluno, mas sim, em como saber ouvir; ouvir e saber se colocar no lugar dele. Adriana ainda contou como aplicou essa teoria em sala de aula e disse que os resultados obtidos foram muito positivos.

Ao longo da Jornada Pedagógica, discutiu-se sobre educação e problemas no ensino básico no Brasil. Acredita-se que os objetivos da jornada foram alcançados, já que, com muito esforço e dedicação tanto os professores como os alunos se empenharam ao máximo para fazer desses dois dias de apresentações um espaço de aprendizagem e discussão muito produtivos.

sábado, 13 de novembro de 2010

Saúde dos mamíferos é destaque em projeto da UFFS

Projeto do professor Vitor Hugo Enumo de Souza analisa fitoterápico Vittis

Por Jéssica Pauletti (Ciências/Realeza)

Em edições anteriores do Comunica, já se divulgou que, no segundo semestre, docentes e discentes da UFFS estão realizando projetos de cunho científico. Um destes é desenvolvido na área da biologia pelo professor Ms. Vítor Hugo Enumo de Souza e as acadêmicas Jéssica Rosa de Souza (bolsista) e Maiara Vissoto (voluntária), ambas do curso de Licenciatura em Ciências. O projeto, intitulado Avaliação do efeito antimutagênico do fitoterápico Vittis (Vittis vinífera), tem como finalidade investigar se o fitoterápico protege o material genético encontrado nas células da medula óssea de mamíferos, contra danos induzidos em experimentos.

Pensou-se em desenvolver esse tipo de estudo por este estar inserido na área de pesquisa do professor. Ele fez a parte experiemental (confecção de lâminas) no laboratório de Citogenética e Mutagenêse do departamento de Biologia Celular e Genética (CDB) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e a análise microscópica das lâminas é feita pelas acadêmicas no laboratório de Ciências do Colégio Estadual Doze de Novembro/ Realeza.

Além de trabalharem com os microscópios, as duas acadêmicas fazem a discussão de resultados, revisão bibliográfica e, no final, pretende-se que elas produzam artigos científicos sobre as considerações finais do trabalho.

Como esse estudo requer o uso constante do laboratório, precisou-se do apoio de alguma escola que o tivesse, já que a UFFS, por enquanto, não dispõe deste ambiente. Todavia, vale salientar que os projetos destes laboratórios já estão em andamento e logo dar-se-á início a sua construção. Para a acadêmica Jéssica, além da falta do laboratório na universidade, há ainda uma outra dificuldade que é a de deslocamento: “como moro em Francisco Beltrão, preciso vir para Realeza uma vez por semana de ônibus. No entanto, isso é algo superável, já que a parte prática é muito legal e interessante, estou aprendendo muitas coisas novas”, ressalta a aluna.

Maiara Vissoto faz a seguinte avaliação do projeto: “ele é um complemento dos meus estudos, um conhecimento a mais, dado que é nessa área que eu quero seguir, a biologia, principalmente na questão da saúde”. Ela ainda comenta que gostaria muito que se desse sequência ao projeto, pois pretende continuar participando dele, seja como voluntária, seja como bolsista de iniciação científica.

Sobre a continuidade do projeto, o professor Vítor Hugo salienta o desejo de desenvolvê-lo no próximo semestre, “talvez não mais com esse fitoterápico; há a possibilidade de buscar alguma propriedade medicial em extratos de sementes, das acículas (folhas) e das grimpas da araucária (Araucaria angustifolia)”.

Como podemos notar, então, este projeto busca novas alternativas para cuidados com a saúde dos mamíferos, tendo em vista sua finalidade de uso do fitoterápico Vittis como auxílio no combate de danos à medula óssea destes mamíferos. Para a realização completa do estudo há ainda a necessidade desenvolver várias etapas, o que não é um obstáculo, a partir do momento que as participantes e o próprio orientador são amantes da biologia e consideram tudo como um grande aprendizado.

Realeza apresenta a ExpoReal 2010

Por Ângela Roman (Medicina Veterinária/Realeza)

Do dia 12 ao dia 15 de novembro, não só a comunidade de Realeza e região como, também, os acadêmicos e servidores da UFFS, estarão tendo a oportunidade de participar da ExpoReal. Trata-se de uma exposição comercial, industrial, agropecuária e gastronômica que ocorre anualmente na cidade e acontecerá no centro de eventos municipal.

O campus da universidade em Realeza está presente na comemoração com um estande onde será apresentada toda a trajetória da UFFS na região. Serão divulgadas informações sobre os primeiros passos para a construção da instituição, a organização, os serviços que estão em desenvolvimento, bem como propostas para o seu futuro, o direcionamento de políticas e ações.

Em conversa do Comunica com o Prof. Dr. Alfredo Braida, diretor do campus da UFFS em Realeza, destacou-se o fato de que a ExpoReal é um momento especial para apresentar a Universidade à comunidade da região. Outro ponto importante relevado é a interação que a Universidade terá nesse período com outras instituições e com os visitantes, havendo a divulgação da Universidade, pois futuros acadêmicos poderão visitar o evento.

Nos três dias da exposição, o estande da UFFS contará com material de divulgação, informações sobre os cursos oferecidos e os trabalhos de extensão desenvolvidos pelos bolsistas desse semestre. Nos horários de visitação, haverá sempre a monitoria de professores e de técnicos para que qualquer dúvida possa ser esclarecida.

A Universidade também disponibilizará computadores para o uso dos visitantes. Dessa forma, eles poderão acessar o site da instituição e verificar os trabalhos expostos em páginas associadas a ela, como a do Projeto Comunica. Também merece destaque a divulgação do processo seletivo do ano 2011, para que os interessados possam sanar suas dúvidas durante o evento.

Além desse veículo de informação, o Comunica exporá um mural de divulgação das matérias e entrevistas desenvolvidas pelos comunicantes. Os textos escolhidos ficarão a critério dos próprios produtores, sendo selecionados aqueles de maior interesse regional.

Como divulgado em matérias anteriores, a UFFS contribuirá com a composição da Trilha Ecológica, na qual o grupo de teatro da UFFS provocará nos visitantes questionamentos em relação à problemática ambiental através de elementos artísticos. Fatores como o desenvolvimento acelerado e as conseqüências do modelo de produção baseado no capitalismo serão questionados. Com isso, pretende-se que os visitantes entendam a importância da harmonia entre o ser humano e a natureza.

Para Flávia Rommel, acadêmica do curso de Licenciatura em Ciências e participante das oficinas de teatro da UFFS, “a construção da trilha tem incentivado os integrantes do projeto teatral da universidade no processo de sua construção, em que nós mesmos seremos os monitores. Assim, contribuiremos, também, com o funcionamento da ExpoReal”.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Uma Alternativa para agricultores da Cantuquiriguaçu

Por Elder A. Tomacheski  (Agronomia com ênfase em Agroecologia/Laranjeiras do Sul)
 
Coletar, identificar, reproduzir e mensurar a biomassa de variedades de mandioca cultivadas regionalmente, com o objetivo de aproveitamento da parte aérea para o uso em ensilagem na produção leiteira. Esse é o projeto de Iniciação Acadêmica desenvolvido pelo professor e diretor do campus Laranjeiras do Sul, Paulo Henrique Mayer.

Contando com 4 (quatro) bolsistas da turma de Agronomia com Ênfase em Agroecologia, este projeto tem, entre seus objetivos, substituir o processo de trituração do milho (ensilagem) e ração por uma alternativa de baixo custo, ou seja, mais barata e mais produtiva para as famílias de pequenos agricultores.

Segundo Mayer, mais de 98% dos produtores de leite da região Cantu, principal atividade desenvolvida pelas famílias, utilizam, nos períodos de entressafra, entrada e saída do inverno, ração comprada e ensilagem de milho. Porém, ao trabalhar com essa forma de manejo, os custos de produção atingem patamares altíssimos, inviabilizando a produção de leite e de seus derivados.

Neste contexto, estudos realizados pela EMBRAPA (2006), demonstram que uma boa alternativa para viabilizar a produção de leite com baixo custo é a substituição do milho pela mandioca. Para comparar os resultados, enquanto o custo para se produzir 2,4ha de ensilagem de mandioca, chega a, no máximo, R$ 2.000, produzindo 100T/ha e com alto valor proteico, o custo para se produzir mesma quantidade de área de milho está em torno de R$ 7.000, produzindo, em média, 35T/ha de ensilagem com baixíssima qualidade proteica.

Ao analisar esses dados, observa-se uma elevação de custos de até R$ 5.000/ha na atividade leiteira. Em média, o preço do litro de leite para o produtor varia de R$ 0,45 a R$ 0,55. Porém, muitos agricultores chegam a ter um custo/litro maior, inviabilizando, assim, a sua produção.

Para Mayer, esses custos são elevados devido a uma alta dependência dos agricultores da região em relação aos insumos externos. Para produção do milho, é necessário duas aplicações de ureia, custos com agrotóxicos, sementes e outros, ao passo que para produção de mandioca não há tanta exigência quanto ao tipo solo, não sendo, por isso, necessário fazer correções nem adubações, além de não exigir aplicações de ureia ou qualquer outro defensivo. O professor conclui que a produção de mandioca é mais viável também por ser um cultivo que faz parte da cultura dos agricultores, sendo, portanto, de domínio público.

A UFFS e a Cantuquiriguaçu: por índices melhores

Por Elder A. Tomacheski  (Agronomia com ênfase em Agroecologia/Laranjeiras do Sul)

Situada no terceiro planalto paranaense, a região Cantuquiriguaçu, ou apenas Cantu, que possui esse nome por ter em suas extremidades os rios Cantu, Piquiri e Iguaçu, ocupa uma vasta área, com 13.947,073 km2 (7% do Estado), possuindo 233,9 mil habitantes, divididos em 20 municípios: Campo Bonito, Candói, Cantagalo, Catanduvas, Diamante do Sul, Espigão Alto do Iguaçu, Foz do Jordão, Goioxim, Guaraniaçu, Ibema, Laranjeiras do Sul, Marquinho, Nova Laranjeiras, Pinhão, Porto Barreiro, Quedas do Iguaçu, Reserva do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Virmond.

Inicialmente, por volta de 1810, o bioma predominante nesta região era a floresta de embriófitas (floresta de araucárias), ocupando 62% do território, seguido de 21,9% de florestas semiduais (margens de rios) e, 15,4% de campos naturais.

Porém, o que vemos hoje é um cenário totalmente diferente e controverso. As florestas de Araucárias foram totalmente dizimadas e reduzidas a 3% de sua área original, dando espaço à urbanização, atividades agrícolas e pecuárias. Nesse contexto, as atividades agropecuárias são dominadas pela Agricultura familiar diversificada (lotes com até 25ha), chegando a atingir um patamar de 47,1% das propriedades.

Os problemas de urbanização também são emergentes na região. O Índice de Desenvolvimento Municipal (IDH-M), que entre outros fatores, mede as taxas de natalidade, mortalidade e acesso à educação, desenha-nos a complexidade do paradoxo existente nesta região.

A pobreza, outro fator alarmante, atinge 26.159 mil famílias, ou seja, 41,9% da população da Cantu (superior à média do Estado, que não ultrapassa a casa dos 20,9%). No geral, todos os municípios da região apresentam taxas elevadas de pobreza, tanto no meio rural, como na zona urbana. No entanto, municípios como Pinhão, Laranjeiras do Sul e Quedas do Iguaçu, lideram o Ranking quantitativo de famílias pobres (IPARDES, 2007).

Além disso, o trabalho infanto-juvenil atinge números perturbadores. Nessa região, crianças entre 10 e 13 anos (40,6% e 30% respectivamente), trabalham todos os dias para ajudar a sustentar suas famílias, ao passo que, entre os jovens de 14 a 17 anos, esse percentual se eleva para 80% e 71% respectivamente, média também superior à do estado que não ultrapassa os 16,3%. Destaca-se, nesse contexto, o trabalho de crianças e jovens na produção de carvão em alguns municípios da região, em especial, no município de Pinhão.

Seguindo ainda esse rastro de desigualdade, a educação, infelizmente, não deixa de ser preocupante. De modo geral, todos os municípios da região Cantuquiriguaçu apresentam taxas elevadíssimas de analfabetismo, tanto na zona rural, como na área urbana. Porém, os maiores índices de analfabetismo estão nos municípios de Pinhão, Diamante do Sul e Reserva do Iguaçu, onde essa taxa ultrapassa os 20%. Num outro extremo, estão municípios como Virmond, Ibema e Campo Bonito, com os melhores índices.

Quando observamos, ainda, as estatísticas referentes à saúde da população, nos deparamos com uma situação de plena calamidade. A taxa média de mortalidade infantil (menores de um ano), no Estado, é de 15,53 óbitos/mil. Já na região, esse índice é de 22,5 óbitos/mil, elevando-se ainda mais nos municípios de Foz do Jordão e Candói, para 48,3 e 35,5 óbitos/mil, respectivamente.

A síntese desses dados não permite ignorá-los. A região Cantuquiriguaçu é uma das mais pobres do estado do Paraná. E é nesse contexto que a UFFS, juntamente com outras organizações sociais, como o Conselho de Desenvolvimento do Território da Cidadania da Cantuquiriguaçu - CONDETEC, buscam traçar estratégias para mudar essa realidade. A própria vinda da Universidade já representou um grande avanço para a região, pois garantirá acesso a uma etapa da educação a que muitos da Cantu não teriam direito. Todos os programas da UFFS, nesse campus, estão voltados, portanto, para combater esses índices e garantir desenvolvimento, acima de tudo, social, para a Cantuquiriguaçu. Várias ações do campus Laranjeiras, como as de pesquisa e extensão, terão esse nome, Cantuquiriguaçu, justificando-as. Por isso, guarde-o, pois ele será mencionado em quase todas as ações da UFFS - Laranjeiras do Sul.

Fonte: IPARDES, Diagnóstico Socioeconômico do Território Cantuquiriguaçu-PR, 2007