terça-feira, 12 de abril de 2011

Discutindo a Universidade e suas fronteiras


Por Andrei Vanin ( Filosofia/Erechim)

A construção do saber passa por várias etapas e é tema de debates acalorados que perpassam a história. A Universidade assume o papel de difundir os saberes, tendo por base a discussão, elaboração e criação de novas teses ou práticas teóricas que contribuam para o desenvolvimento da sociedade como um todo.

Em vista de melhor compreender a Universidade e analisar propostas e desafios que a própria UFFS enfrenta, ocorre no dia 15 de abril de 2011, às19 horas e 30 minutos, no auditório da UFFS, campus Erechim, o lançamento do livro intitulado “Universidade e suas fronteiras”. O livro tem como autores Dirceu Benincá (que também organiza a obra), e os professores Thiago Ingrassia Pereira, Luís Fernando Santos Corrêa da Silva, Roberto Rafael Dias da Silva e Rodrigo Manuel Dias da Silva, e o secretário da educação do município de Erechim Anacleto Zanella.

 Fonte: http://www.expressaopopular.com.br

O lançamento do livro é aberto a toda comunidade interessada. Ocorrerá ainda uma palestra com o Professor Doutor Luiz Eduardo Wanderley, sociólogo da PUC/SP. Sua palestra terá como tema a “Universidade e suas fronteiras – o desafio da construção de uma universidade pública e popular”. Indubitavelmente, é mais um momento oportuno de aprofundamento, debate de conceitos e acolhida de ideias sobre os desafios da Universidade.

Estudantes do Ensino Médio participam do Projeto Comunica

Projeto de extensão da UFFS auxilia na produção de textos e
contribui na preparação para o vestibular e ENEM

Por Daniela da Rosa (Col. Est. Doze de Novembro) e Maria Eduarda Collaço (Colégio Real)

A Universidade Federal da Fronteira Sul está promovendo o Projeto Comunica que tem como objetivo desenvolver a capacidade de leitura e escrita dos participantes, estudantes do Ensino Médio e Ensino Superior.

O Projeto Comunica iniciou em agosto de 2010, porém se tornou um Projeto de Extensão em março de 2011, visando o envolvimento da comunidade com a Universidade. O coordenador do projeto, Prof. Ms. Clóvis Alencar Butzge, afirma que, além de trabalhar a produção e interpretação de textos, o aluno do Ensino Médio também terá um contato maior com a Universidade se acostumando com o ambiente acadêmico.

Um dos colaboradores do projeto, Prof. Ms. Marcos Roberto da Silva, percebeu um grande destaque nos textos dos acadêmicos integrantes do projeto: “Eles escrevem com mais coerência e coesão”.

Os acadêmicos participantes do projeto acreditam que o envolvimento do Comunica com os estudantes do Ensino Médio é importante para seu desenvolvimento na prática de ensino, como diz a acadêmica do Curso de Letras, Marina Maria Rodrigues: “Este é o nosso primeiro contato com os alunos do Ensino Médio, e tem sido de suma importância para a nossa formação como professores e para eles, futuros acadêmicos”.

A professora de Língua Portuguesa Valéria Barbiero, do Colégio Estadual Doze de Novembro, afirma que o Projeto Comunica pode contribuir para a formação dos alunos de Ensino Médio: “Ajuda, porque auxilia o aluno, esclarece suas dúvidas, proporciona ao aluno o conhecimento de novas opiniões e ambientes de estudo. Ajuda na produção de redação e na resolução de questões de interpretação.”

O interesse dos alunos do Ensino Médio pelo projeto partiu da necessidade de melhorar a habilidade de produção textual. Os estudantes preocupam-se com os vestibulares e ENEM, nos quais um dos critérios avaliativos de maior peso é a capacidade de escrita. É o caso da aluna do Colégio Estadual Doze de Novembro, Bruna Madey Dalarosa, a qual acredita que o Comunica contribuirá na sua formação e na sua preparação para os vestibulares.

Além do interesse do aluno, há o interesse dos pais que incentivam seus filhos a participarem, como por exemplo a Prof. Ms. Ana Carolina Teixeira Pinto, mãe da aluna do 2º ano do Colégio Real, Maria Eduarda Collaço, a qual acredita que o projeto é importante pois “aprendemos a escrever escrevendo”.

58º Jogos Escolares Paranaenses – JEP's

Jogo realizado no Ginásio de Esportes do
bairro Jardim Primavera, em 2009

Por Bruna Madey Dalarosa, Daniela Zerbielli e Michelle Batistella Vieira (Col. Est. Doze de Novembero)

O Município de Realeza realizou, entre os dias 29 e 30 de março, a primeira fase dos Jogos Escolares Paranaenses – JEP's. O evento contou com a participação de alunos do Ensino Fundamental e Médio da rede pública e privada.

Os participantes foram divididos em dois grupos, o Classe A (alunos de 15 a 17 anos) e o Classe B (alunos de 12 a 14 anos) . As modalidades ofertadas, em modalidades para ambos os sexos, foram: voleibol, futsal, futebol de campo, basquetebol e handebol.

O Comunica entrevistou o professor de Educação Física, do Colégio Estadual Doze de Novembro, Agostino Munaro para saber sua opinião a respeito da realização desses jogos: “Os jogos ajudam na integração e na confraternização dos alunos”. O aluno Renan Rosalino, que jogou futsal pela Classe A, tem uma opinião parecida: “Para que o time consiga obter um bom desempenho, é preciso que haja compreensão entre os colegas, mesmo que existam diferenças fora da quadra”.

A segunda fase (regional) ocorrerá entre os dias 29 de abril e 05 de maio nas cidades de Santa Izabel do Oeste e Ampére. Esta fase oferece, além das modalidades citadas anteriormente, o tênis de mesa e o xadrez.

A terceira fase, que abrange um número maior de municípios (macrorregional), será realizada entre os dias 07 e 12 de junho. A fase final, que ocorrerá entre os dias 02 e 09 de julho, também trará novidades nas modalidades, com o atletismo e a natação. Todas essas datas estão sujeitas a alterações.

Existem também as fases para alunos portadores de Necessidades Especiais (NEE). Em Realeza existe apenas uma Escola Especial, a APAE, portanto os alunos não precisam participar das eliminatórias municipais.

Em conversa com o Comunica, a secretária de educação do Município, Leocádia Andreolli, frisou a importância da participação de portadores de necessidades especiais nos jogos, pois além desses alunos ultrapassarem seus próprios limites, acabam mostrando aos demais que é possível a cada um superar suas dificuldades.

O secretário de esportes Jonas Buzatta, que há cinco anos é responsável pela organização dos jogos em Realeza, declarou que é importante para o aluno saber tanto ganhar quanto perder, pois na vida nem tudo se ganha. Disse que, participando desse tipo de atividade, o jovem adquire experiência para conviver num meio de competitividade.

O “dono dos dedos”

Por Marina Maria Rodrigues (Letras/UFFS-Realeza)

Para dominarmos uma marionete e fazermos um belo trabalho é preciso ter conhecimento do que se está fazendo. Pode-se dizer: tem que saber dominar o boneco. Além disso, deve-se trabalhar com agilidade e calma, afinal de contas marionetes são objetos delicados.

Concordemos, querido leitor, que um show de marionetes bem organizado é algo maravilhoso, pois o dono dos dedos sabe representar, utilizar seus conhecimentos a respeito da arte teatral, é ágil e confia em si mesmo, sabe o que está fazendo.

Mas imagine agora um espetáculo teatral sem direito a ensaios, por exemplo um stand up, cheio de improvisos, sem cenário, um teatro quase estático. Se o condutor da apresentação não souber o que fazer e se perder nos movimentos das marionetes, aí teremos um belo desastre.

Para dar vida a minha divagação, conto-lhe minha experiência como marionete. Sinto-me um pouco constrangida em dizer como fui manipulada e como isso prejudicou a mim e outros bonecos. O problema não estava em nós, simples bonecos conduzidos por um ser, o problema era que o “dono dos dedos” não sabia nos guiar.

Sem saber o que fazer, ele perdeu o ritmo e a sintonia. Para você ter uma ideia, quando era hora de dançarmos, ficávamos parados, sem nos mexer. Quando era hora de gritar e ir à luta, continuávamos paralisados. E quando mexia seus dedos desjeitosamente acabava estragando os próprios bonecos, deixando-os impossibilitados de dar sequência ao show.

A situação foi ficando pior, o público passou a não gostar do que estava vendo e começou a levantar e ir embora; alguns, mesmo não gostando, ficaram para ver até onde iria esse desastre teatral.

O pior foi que o “dono dos dedos”, sem pensar, acabou nos largando no meio do palco, todos nós ficamos caídos no chão, sem poder nos mexer, imóveis e olhando para uma multidão que também olhava para nós. Uma das ocasiões mais constrangedoras de minha vida.

Imagine-se você, leitor, nessa situação, como uma marionete manipulada por um “dono dos dedos”, sem instrução e preparação. Por isso, tome cuidado para não ser um marionete, pois são bonecos. E bonecos não têm opinião própria, visão política e capacidade intelectualmente de agir por si próprios.

A vida real é bem diferente de uma peça de teatro, mas infelizmente ainda há por aí muitos “donos dos dedos”.

Curso de Letras elege os primeiros representantes


A chapa eleita: Da primeira fase, Eline, Débora e Everson.
Da segunda fase, Josiane, Marina e Lucas


Por Patrícia dos Santos (Letras/UFFS-Realeza)

O Curso de Letras da Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Realeza elegeu na última sexta-feira (08) os primeiros representantes do seu Centro Acadêmico.

Alunos das duas turmas votaram para aprovar a única chapa inscrita, UAL – União dos Acadêmicos de Letras, composta por alunos da primeira e da terceira fase.

Entre as propostas apresentadas, a chapa UAL priorizou a interação entre ambas as fases, com o intuito de promover maior representatividade do Curso perante a Universidade.

Além disso, a chapa propôs que atividades culturais sejam ampliadas, como é o caso do Sarau Literário que teve duas edições em 2010 e agora, com a chegada da nova turma, será repensado a fim de promover, além de apresentações culturais diversas, palestras voltadas para os futuros professores de Português, Espanhol e Literatura.

A presidente eleita do C.A., Marina Maria Rodrigues, em conversa com o Comunica, agradeceu a confiança dos colegas e reforçou: “O Centro Acadêmico do Curso de Letras pretende fazer com que o Curso ganhe notabilidade. Necessitamos de atividades variadas que incentivem a cultura. Além disso, é de suma importância que haja interação entre as turmas”.

Comissão é formada para fiscalizar obras do campus definitivo

Alunos da UFFS animam-se com a construção do campus de Realeza

Por Charline Barbosa (Ciências/UFFS-Realeza)

Em seu segundo ano, a Universidade Federal da Fronteira Sul, UFFS, ainda se encontra em instalações provisórias, sofrendo, assim, com a falta de recursos estruturais necessários para a realização de aulas e pesquisas. Porém, o processo de construção do campus definitivo dará, aos poucos, forma ao esperado primeiro bloco, o qual possui salas de aula e três laboratórios, tendo data de término para o final do ano de 2011.

Com a criação de uma comissão fiscalizadora, formada por alunos, professores e técnicos administrativos, as obras tomam rumos diferentes, pois as atenções se dobram aos passos dados pela construtora. Em caso de complicação, acadêmicos e toda a comunidade universitária serão rapidamente informados para auxiliar nestes problemas, a fim de tornar mais rápido o processo de construção.

A comissão de fiscalização conta com o relatório que apresenta o “Programa de Necessidades” para os projetos executivos da Infra-estrutura do novo campus universitário da UFFS. Este relatório fornece a explicação detalhada de dados do contrato, prazos de entrega, objetivos e os projetos envolvidos, como, por exemplo, projeto de implantação urbanística e paisagismo, projeto geométrico, projeto de terraplanagem, projeto de esgoto e sistema de tratamento de água.

A área para implantação do campus está inserida no perímetro urbano, em lote com área total de 85,00 ha. O projeto para construção conta com centro de eventos, laboratórios didáticos, restaurante universitário, centro administrativo, sala para professores, centro esportivo com ginásio, campo de gramado para futebol, duas piscinas olímpicas aquecidas, quadras para tênis, guaritas de segurança, entre outros recursos.

Em entrevista, a acadêmica Danielle Cristina, integrante da comissão de fiscalização, salientou a preocupação que todos estão tendo com as obras. Segundo ela, “faremos o possível para acelerar o processo de construção e finalização das obras, pois todos queremos um campus que forneça estruturas necessárias para aulas, pesquisas, extensão e administração em espaços adequados”. Para finalizar, informou que a obra terá prazo para ser entregue até 2015.

Movimentos sociais na UFFS

A consolidação da universidade precisa do apoio de várias entidades, inclusive dos movimentos sociais

                                                                            Ivonei Gomes/UFFS
 Várias pessoas estiveram no evento

Por Jéssica Pauletti (Ciências/UFFS-Realeza)

Realizou-se, na última segunda-feira, dia 04 de abril de 2011, às 14h00, uma assembleia organizada pelo CAMVET (Centro Acadêmico de Medicina Veterinária), que contou com a participação dos representantes dos outros centros e Diretório Acadêmico, membros de movimentos sociais da região, Direção de Campus e demais pessoas da comunidade acadêmica e local. O intuito principal foi discutir acerca das dificuldades que os estudantes do Curso de Medicina Veterinária estão sofrendo, como a falta do hospital veterinário e laboratórios das áreas específicas.

Para início, leu-se uma carta, a qual relatava a importância dos Movimentos Sociais na implementação da UFFS. Em seguida, foi aberto um espaço para que representantes estudantis de Nutrição, Sarajane Marciniack, e Ciências, Juan Corrêa, expusessem a situação de seus cursos especificamente (o Centro Acadêmico de Letras ainda está em fase de constituição, por isso não teve representante) e do Diretório Acadêmico, Edenilson de Souza, sobre as dificuldades gerais dos estudantes. Os docentes de Medicina Veterinária, Adolfo Firmino da Silva Neto, Carina Franciscato e Patrícia Romaneoli, também se pronunciaram a respeito do assunto.

Em nome dos movimentos sociais, Inácio Werle integrante da Fetraf-Sul (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul) colocou a preocupação que eles estão tendo com os problemas enfrentados pelos acadêmicos da UFFS. Segundo Inácio, para tentar amenizar esses danos, é preciso montar-se uma força tarefa que esteja pronta para lutar pelos ideais reivindicados pelos educandos. Ele deixou em aberto a possibilidade de um outro encontro, na qual os principais representantes dos estudantes possam conversar diretamente com os movimentos para deliberar os assuntos de cunho emergencial e de que forma pode-se trabalhar em cima disso.

Em conversa com o Comunica, o acadêmico e presidente do CAMVET, Fabrício Bernardi, elencou alguns pontos relevantes do encontro. Segundo ele, espera-se que essa reunião possa motivar os estudantes de Medicina Veterinária e dos demais cursos para se engajarem na luta pela estruturação do Campus para que a formação de todos seja de qualidade.

Outro ponto destacado por Fabrício é que alguns representantes dos movimentos sociais relataram que “não estavam inteirados totalmente a respeito de como está o processo de construção da UFFS e da falta de condições ideais e dificuldades que os acadêmicos estão enfrentando”, portanto, para o líder estudantil, essa assembleia foi proveitosa já que foi o início de uma aproximação dos movimentos com os acadêmicos.

Sobre uma nova reunião entre os acadêmicos e os movimentos, Fabrício espera que haja um contato mais próximo, possibilitando estabelecer metas e meios de ação e articulação para que se possa somar forças para buscar a consolidação da construção da UFFS e desse modo ter uma formação de qualidade a todos

A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim

Durante a semana, o Comunica buscou saber o que fazem as pessoas sentadas nos bancos do calçadão municipal de Realeza

Por Will Cândido (Ciências/UFFS-Realeza)

Ao passar pelo centro de Realeza, o que mais chama a atenção de quem vem de fora, à primeira vista, é o seu esplêndido e extenso “calçadão”. Ocupando uma grande parte do centro da cidade, o calçadão municipal é uma marca realezense.

Pela manhã

Durante as manhãs, o calçadão é repleto de idosos. Entrevistando alguns deles, o Comunica encontra o Sr. Adão Borba, 61 anos, agricultor aposentado que, de maneira simples e rápida, disse o que estava fazendo ali: “Moramos na Colônia e ficamos sentados aqui esperando o banco abrir”. Como o Sr. Adão mora longe e necessita de ônibus para chegar até a cidade, ele, na maioria das vezes, chega bem antes de o banco abrir. Esse também é o motivo de muitas outras pessoas estarem sentadas nos bancos da praça pela manhã.


                                                                                           Mayza Lora
Clarice Borba e seu pai, Adão Borba,
 esperando o banco abrir


Ao Meio-dia

Nesse horário, o comércio local se fecha, e muitos dos funcionários e proprietários que ali trabalham vão para casa almoçar.

Durante o horário de almoço, encontramos algumas pessoas que estão descansando nos bancos. O Sr. Marcelo Kops, 39 anos, gerente comercial, conversou com o Comunica e explicou o motivo para ele e sua esposa estarem sentados ali: “como trabalho em horário comercial, este é o horário que tenho à disposição para vir ao banco. Fomos almoçar e agora estamos aqui para dar uma descansadinha antes de voltar ao trabalho”. A esposa de Marcelo, Sra. Rosane Kops, dona de casa de 35 anos, complementa a fala do marido: “o calçadão é um local agradável para se sentar, bem fresco e arborizado. O clima hoje está bom, e aqui podemos descansar depois do almoço”.

À tarde

Nem todas as pessoas que ali se sentam estão aguardando o banco se abrir ou acabaram de voltar dele. O Comunica entrevistou algumas pessoas na parte da tarde que estavam a fim de uma espécie de lazer.

“Ficar em casa fazendo o que? Brigando com a mulher? Eu não! Venho aqui e me encontro com meus companheiros de antigamente”, afirma o Sr. Maximino Andrette, 65 anos, aposentado. O Sr. Maximino relata que vai praticamente todos os dias até o calçadão, tanto no período da manhã quanto no período da tarde, quando se encontra com os seus companheiros e começa a conversar.

“Sempre nos sentamos aqui, mas já estamos quase desistindo. Não ganhamos nenhum cafezinho, ninguém serve uma cervejinha”, diz o Sr. Nalredi Maria, 75 anos, aposentado. Conta que gosta de ficar ali, “proseando com os velhos e vendo os ‘bicho bão’ que passam na rua”. As pessoas sempre lhes perguntam: e na chuva, como é que faz? “Na chuva, podiam colocar uma tenda pra agradar os velhinhos aqui!”, responde o Sr. Nalredi.


                                                                                            Mayza Lora
 Sr. Nalredi e Sr. Maximino vendo
o que “se passa” por Realeza
À noite

Nas noites realezenses, o calçadão também é muito freqüentado, mas, desta vez, por jovens. Em conversa com o Comunica, a universitária Ângela Roman, de 20 anos, conta o porquê de ela e seus amigos estarem por ali: “Ficamos aqui, porque não tem um bar que permaneça aberto até tarde e não nos expulse dele, pois é tradicional aqui em Realeza os bares fecharem cedo”. Inconformada, ainda diz: “Nos bancos da praça ‘era’ permitido ficarmos tocando violão, mas agora não podemos mais”.

Realeza, por ser uma cidade pequena, ainda não está adaptada à rotina de uma cidade grande, ou à rotina de uma cidade universitária: “Procuramos o calçadão para tentar fazer algo que nos tire da monotonia. Estamos buscando diversão, já que a cidade não nos oferece opções de lazer. Reunimos a galera para tomar tererê, chimarrão e tocar violão, mas, infelizmente, nos últimos tempos, nem isso mais está sendo permitido por aqui. No geral, o calçadão, é um lugar excelente para dar uma descontraída”. O acadêmico que conversou com o Comunica foi Jonathan Agnes, de 19 anos.

Na madrugada

Sim, na madrugada também há gente sentada pelo calçadão. Bruna Gehlen, 22 anos, universitária, dá um depoimento: “morei anos em frente ao calçadão, então, sentar aqui para conversar com os amigos era algo bem comum para mim. A maioria das pessoas, quando sai das festas, passa pelo calçadão para ir para casa. Acho que por isso é meio que um ponto de encontro da galera”. O Comunica perguntou o porquê de ela estar ali na madrugada: “durante a madrugada, é um horário mais tranqüilo, principalmente nos fins de semana. Gosto de ficar aqui com os amigos conversando e contando piadas”.

Sarajane Marciniak, 20 anos, universitária, explicou os motivos de estar até tarde pelo calçadão. Contou algumas histórias: “geralmente, acabamos parando aqui no calçadão durante a madrugada, logo após chegarmos de alguma festa. Aqui no calçadão, podemos sentar e comentar com os amigos o que aconteceu durante a noite”.

Foi pedido o que ela achava dos bancos, e ela afirmou: “os bancos são ótimos. Sempre utilizamos eles para sentar, tomar tererê e conversar com a galera. Algumas vezes tocamos violão durante a madrugada, mas estamos parando com isso, pois é freqüente a chegada da polícia acabando com a nossa diversão”.

                                                                                          Will Cândido
Da esquerda para a direita, Luciana, 
Sarajane, Kerlly, Thaís e Yuri

É vista a variedade de pessoas que costumam ficar pelo calçadão realezense, sentadas em seus bancos. É notável a variedade de idades das pessoas que o frequentam e de horários em que cada uma costuma se sentar. Muito provavelmente, os jovens que se sentam à noite não têm a menor noção dos idosos que se sentam pela manhã. Os assuntos e os motivos pelos quais estão sentados lá são completamente diferentes uns dos outros. Essa é a variedade presente no calçadão realezense.

Projeto de extensão da UFFS envolverá professores e alunos do ensino básico

Por Vanessa Pagno (Ciências/UFFS-Realeza)

Nas duas últimas edições, o Comunica já publicou algumas reportagens sobre os projetos de extensão universitária, que estão sendo desenvolvidas pela UFFS, Campus Realeza, no ano de 2011. Entre esses está o projeto do professor Ms. Júlio Murilo Trevas intitulado "atividades demonstrativas e interativas como apoio à Educação Básica". Este projeto tem como objetivo fazer uma articulação entre acadêmicos do curso de licenciatura em ciências e os alunos de Educação Básica.

Essa articulação dar-se-á através de atividades práticas ou demonstrativas – jogos, experimentos, dinâmicas, gincanas e vídeos – atividades essas que serão desenvolvidas de acordo com os recursos disponíveis, buscando envolver as disciplinas de Biologia, Física e Química. O projeto visa, ainda, promover interações entre os participantes, permitindo a compreensão de conceitos que parecem abstratos, estimulando a relação entre teorias e fenômenos observados no cotidiano, despertando a curiosidade científica, para, com isso, aprimorar a capacidade de observação e apurar o senso crítico.

A partir das atividades do projeto, serão elaborados materiais em formato hipertexto, para uso na Educação Básica e no curso de licenciatura em ciências. Além disso, também será feita uma síntese sobre as atividades e sua implementação, que será usada como referência em disciplinas do próprio curso de licenciatura em ciências.

O professor Trevas explicou que primeiramente os acadêmicos envolvidos no projeto, participarão de um curso preparatório com um químico e um biólogo da Unicentro (Universidade do Centro-Oeste do Paraná), de Guarapuava, para que eles possam, mais tarde, compartilhar seus conhecimentos, através de atividades demonstrativas e interativas, com os alunos do ensino básico. Também será disponibilizado um curso preparatório para os professores de ensino básico para que eles possam auxiliar seus alunos no desenvolvimento das atividades.

O professor Trevas salienta também que "após o término do trabalho com os alunos do ensino básico, será trabalhado com os demais acadêmicos do curso de licenciatura em ciências da UFFS, para que haja um retorno de conhecimento para a universidade" .

Todos os participantes do projeto, quatro voluntários e um bolsista, são do curso de licenciatura em ciências e estão na terceira fase. Denise Felicetti é voluntária do projeto e disse que ele "vai contribuir muito como extensão, na universidade, e também vai ser muito produtivo para os participantes do projeto ". Suelen Aparecida Felicetti é bolsista e destacou que "o projeto é muito interessante, pois terá um retorno muito grande, terá aproveitamento não só por parte dos alunos da universidade, mas também por parte dos professores e alunos da Educação Básica".

Como uma das principais causas da UFFS é interagir com a comunidade, os projetos de extensão visam estabelecer essa relação, proporcionando aos acadêmicos conviver mais de perto com a realidade, podendo suprir dificuldades que vierem a ocorrer durante o curso, e à comunidade aproveitar, da melhor maneira possível, os conhecimentos que são gerados dentro da universidade. Dessa forma, mostra-se a todos como uma instituição de ensino pública, que é o caso da UFFS, é tão importante para a região.

Deputado Federal visita UFFS

Assis do Couto esteve no Campus Realeza para dialogar com a comunidade acadêmica

Por Jéssica Pauletti (Ciências/UFFS-Realeza)

Em visita à cidade de Realeza, na sexta-feira passada, dia 1º de abril, o deputado federal Assis do Couto (PT) teve a oportunidade de conhecer as instalações provisórias da UFFS, bem como conversar com os representantes da direção e dos acadêmicos sobre a construção da nova sede, quanto aos cortes estabelecidos pelo governo com viagens e locomoções, a respeito das dificuldades que os acadêmicos estão enfrentados pela falta de infraestrutura, entre outros assuntos de importância para a comunidade universitária.

                                                                             Ivonei Gomes/UFFS
 Diretor João Braida com o deputado
 Assis do Couto no Campus

Em conversa com o Comunica, o deputado federal disse que a principal finalidade da visita ao Campus Realeza foi ter a possibilidade de ouvir a todos e conhecer mais de perto as dificuldades, para que desse modo possa ajudar no que for da alçada do seu cargo. Esses auxílios podem ser reivindicados por intermédio do vereador realezense Jayme Taube, conhecido popularmente por “Canjica”, que é o representante do deputado no município, com o qual entra em contato para procurar solucionar os problemas dessa região.

A respeito do Decreto nº 7.446, de 1º de Março de 2011, instituído pelo Governo Federal, o deputado Assis afirma: “não se deve tratar os desiguais de forma igual”, ou seja, a UFFS não tem nem 2 anos de “vida”, e já existem outras instituições federais com muito mais tempo de existência, não é justo que o corte atinja a todas de forma igualitária, já que suas demandas são divergentes, devido ao espaço e reconhecimento nacional.

O deputado federal também foi questionado acerca da escola pública num todo, desde a fundamental até a superior. Para ele, a escola pública precisa de mais investimentos para que ela possa se fortalecer tanto no espaço em que está inserida como na formação que propicia aos estudantes.

Para terminar, Assis do Couto comenta que a UFFS foi talvez a universidade que mais teve a participação popular em sua criação e que esse era um ambiente que muitos desejavam a vários anos, sendo necessária muita luta e empenho para que ela saísse do papel e se construísse.